...I close my mouth and spoke to you in a hundred silent ways...
sábado, 4 de dezembro de 2010
Para o infinito e maiiisss aallémmmmm...
BBBBBBRRRRRRRRR, qqqqqqqqqqqquuuuuueeeeee fffrrriiioooooo...
...este foi o filme da tarde, no quentinho, com os sobrinhos...um filme delicioso da Pixar...
...quem me dera por vezes ser como o Sr. Batata e infiltrar-me aos bocadinhos onde quisesse...primeiro a orelha, depois um olho, a boca, um braço, outro braço....e por aí a diante...::-))
...ou quando alguém é mau na vida, poderíamos carregar no Reset, para recomeçar de novo, como fizeram ao Buzz...e, voltava a ser bom...::-))
...no conforto...lembrei-me e perguntei aos grandes e aos pequeninos:
- Onde será que estão abrigadas as pessoas que não têm casa, no dia de hoje, com tanto frio?...
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Tratado sobre a Amizade..."...talvez exista, uma pitada de Eros no fundo de todas as relações humanas."
...No Outono, de regresso da Bretanha, a família Heitzing ruma a Viena, onde puseram o menino no colégio militar...
"Eram como crianças que brincam vestidas de soldados. Calçavam luvas brancas e faziam continência com graciosidade.";"Tinham dez anos quando se conheceram." ..., era o início de uma longa amizade entre um menino rico e um menino pobre...
"Só os homens conhecem esse sentimento. Chama-se amizade."
Konrád havia tocado a 4 mãos, com a mãe de Henrik a peça - Fantaisie Polonaise, Chopin...e depois de passada a adolescência e de entrar na idade adulta, desaparecera, sem despedidas, durante quarenta e um anos e quarenta e três dias...
...
O Konrád escreveu - disse o general;
Ele está cá na cidade - disse o general à ama, em voz baixa,...Vai jantar aqui."
...o general Henrik dava instruções a Nini (ama), enquanto esperava o convidado...
"- As velas - disse. - Lembras-te?...As velas azuis da mesa. Existem ainda? Acendam para o jantar e deixem-nas arder."
...sentaram-se à mesa e perdidos na última conversa, as velas arderam até ao fim...
....um romance brilhante de Sándor Márai....22.35h, Acabei agora mesmo de o ler, e sou obrigada acrescentar que é uma extraordinária reflexão sobre a amizade, a vida, as concepções, os preconceitos, o respeito, a admiração, a verdade, a mentira, a traição, as fraquezas, a vaidade, paixão.... Metade da obra é quase um monólogo perfeito e de introspecção...muito bonito, mesmo...
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Nocturno - O romance de Chopin
...por Cristina Carvalho.
Acabei de ler este maravilhoso livro.
"De Zelazowa Wola a Varsóvia ou de como tenho saudades de não ter saudades"
sábado, 27 de novembro de 2010
Livre- arbítrio...
Drummond, estaria perdidamente apaixonado quando escreveu este poema...Que bom Drummond, que não sentes vergonha de dizer ao mundo, tudo o que sentes, a intensidade do que sentes...
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
... Num dia de greve geral...
...marcado por momentos especiais, ...este, foi sem dúvida um deles...
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Amanhã, vou ter o prazer de falar com este grande homem e escritor, pessoalmente. Apesar de haver amigos de amigos, família de amigos que nos estreitam os laços, nunca falamos senão via Internet. Um escritor que admiro como homem e que me leva para paragens tão distantes, fantásticas, mas também reais, onde a luta pela sobrevivência se fez corpo a corpo, onde os ideais de vida permanecem inalterados apesar da mudança dos tempos, onde as preocupações ambientais são uma constante.
O Velho que lia romances de amor; História de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar; As rosas de Atacama: O mundo do fim do Mundo; Encontro de Amor Num País em Guerra; são alguns dos livros dele, que li. E, agora, Histórias daqui e dali.
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Vida morna...de Fernando Pessoa
Ainda pior que a convicção do não, é a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase!
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perderam por medo, nas ideias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no Outono.
Pergunto-me às vezes o que nos leva a viver uma vida morna.
A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e na frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos bons dia, quase sussurrados.
Sobra covardia e falta de coragem para ser feliz.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor.
Mas não são.
Se a virtude estivesse mesmo no meio – termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco – íris em tons cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Preferir a derrota prévia à dúvida da vitoria é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Para os erros há perdão, para os fracassos, chance, para os amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar a alma.
Cujo o fim é instantâneo ou indolor não é romance.
Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você.
Gaste mais horas realizando, que sonhando…
Fazendo que planeando…
Vivendo que esperando…
Porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.
Fernando Pessoa
Obrigada Cristina pelo envio do poema fantástico, que não conhecia, bjinhos.
Obrigada Cristina pelo envio do poema fantástico, que não conhecia, bjinhos.
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
O ensaio...
Numa luta desigual, em que a vontade mental teima para que viva e a morte me quer levar, procuro desesperadamente uma enseada onde possa largar o meu corpo, aconchegado à terra e fazer livre de uma vez por todas a minha alma, que nunca aprendeu a viver de outra forma.
Sinto um curto-circuito interior que me arrepia, que me faz estremecer... e picadas ao de leve por todo o corpo, como se um formigueiro me atacasse e me corroesse por dentro, sem mágoa, sem pena de me ver partir. Perco as forças a cada dia, não consigo equilibrar o esqueleto, este pequeno conjunto de ossos que foram crescendo comigo e perdendo a esperança aos poucos de um dia viver hirto, em harmonia com a vida, onde as pessoas são felizes ao lado umas das outras, num país brilhante. Esse momento, já passou e eu quase nem dei por ele. A curva é agora descendente.
Tenho medo de tropeçar, cair e desordenar a ordem...
Assisto de fora a um caos interior, lento, que sinto. O meu cérebro troça e não acompanha o desmoronar do corpo que me deram...
Acabei de fazer um acordo com a Vida. Morro agora e volto a nascer amanhã, num outro corpo "novinho em folha", forte e são, onde a energia dominará todas as minhas células e, em troca, prometo tomar conta dele muito melhor, que do primeiro que tive. Não terá vícios, terá consciência de que não é indestrutível, saber-se-à posicionar correctamente em cada momento, não exercerá esforços em excesso nem em defeito, e talvez assim o consiga convencer a viver eternamente, com o mesmo esplendor de quando alguém o trouxe ao mundo.
Dei cabo dele, gastei-o, abusei dele, fiz do meu corpo um carrasco, o meu próprio carrasco... por desconhecimento, por inocência e ingenuidade. Ao olhar para os demais seres vivos entendi-me em tudo melhor que eles. Mais inteligente, mais forte, mais tudo...
...e, o carrasco tomou conta de mim. Fui amarrada, chicoteada, apedrejada, taparam-me a boca, quase não respiro...apenas, um fio de ar me percorre as veias e não me deixa morrer no verdadeiro sentido da palavra...
Não aguento o que não quero, o que não gosto, não aguento mais nada...
Vou aconchegar-me aqui, nesta curvatura da costa, reentrância aberta na direcção do mar ladeada por dois promontórios. Fecho os olhos e vejo-o a ele, o mar e vejo-me a mim, a ir embora...
...
Antes de voltar de novo à vida, amanhã, explicam-me, que a minha existência anterior...
afinal, não passava de um Ensaio...
...A vida só será plenamente vivida quando voltarmos pela segunda vez...Aí sim,... Vai começar o ESPECTÁCULO...
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
O tempo que o tempo tem...reflexão
O tempo que o tempo tem...
O tempo tem tempo para tudo,
...nós não
O tempo tem tempo para nós,
para ele,
e ainda lhe sobra tempo para os outros,
...nós não
O tempo, gasta o seu tempo em tudo quanto leva tempo,
...nós não
Ao tempo sobeja até tempo
...a nós, não
Em que gastamos nós afinal o tempo??!!!
sem ser em tempo e no tempo que gastamos..
...gastamos o que não temos... tempo
tempo é espaço...
gastaremos nós o tempo e o espaço!!!!!!???
Estou sem tempo...
e sem espaço vos escrevo,
na esperança de que o meu tempo, substancie o gastar do meu próprio espaço
e, sem tempo, gasto o espaço que não tenho...
porque, não tenho tempo.
Penso:
"Esta utopia do progresso ininterrupto"
...abençoado tempo que gastei, em companhia da amizade. O espectáculo terminara, o teatro fechara as portas, o público todo tinha saído e nós sozinhas num cenário fantástico de vazio...trocavamos palavras perdidas, no teatro...pela noite fora.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Hoje sei, porque Sinto.
Lá longe, um dia, nasceu uma menina...
Com pele de recém-nascido, quero dizer suave, elástica e de coloração entre o rosa e o vermelho, consoante a ascendência racial que se trás, era feita de pele e osso, e cresceu aos olhos de todos quantos por ela passavam sem a ajuda de ninguém. Tinha uma casa enorme, a Rua, e que era sua. Vivia as maiores aventuras da sua vida, nessa casa grande.
Atravessou batalhas, protagonizou duelos, brincou aos cowbois, com carros e bonecas de corrida, plantou sonhos, sofreu desilusões, amou isto e aquilo e deixou de amar, mas não foi por isso que deixou de gostar daquela casa grande, onde tudo encontrava e tudo a encontrava a ela...
Ainda criança pequena, leu algures num livro qualquer deixado pelos avós maternos, uma história. Uma história de uma menina que tinha nascido lá longe, um dia, sem pele, ...o que a deixava perplexa. Não conseguia imaginar o corpo de um ser humano, sem ser revestido por pele.
Na história que o avô lhe lia todas as noites... e, que, de tanto a ouvir a fixou, sem nunca mais precisar de olhar para as letras impressas senão apenas para as imagens coloridas, todas as pessoas tinham pele, excepto aquela menina. A tez era determinada pela raça, as marcas eram determinadas pela vida, mas todas as pessoas tinham pele. Composta por três camadas de tecidos, Epiderme, Derme, Hipoderme, que correspondiam a cerca de dez a quinze por cento do seu peso corporal.
A pele tem uma função determinante no corpo humano, é um revestimento que protege o organismo da entrada de substâncias nocivas e evita a evaporação excessiva de água, causadora da desidratação. A história que o meu avô me contava todas as noites era bonita, mas não se desprendia do princípio ao fim da fisionomia humana e dos aspectos científicos, nem do seu objectivo pedagógico.
- Esta história não acaba bem - dizia.
O meu avô, sempre que chegava ao fim do livro, continuava a história. Fechava o livro sobre o colo e continuava. Esta, era a parte que eu mais gostava. Era fantástico ver o brilho dos seus olhos e a certeza de me dar o melhor de si e do que a vida lhe tinha ensinado. Para ele, aquela história devia continuar, porque havia outras caracteristicas muito importantes sobre a pele que eu devia aprender, convicção que hoje partilho, inteiramente. E, num tom grave, determinado e ao mais tempo carinhoso dizia:
- Meu neto, A nossa pele, é a fronteira entre o nosso mundo interior e o Mundo...Ficava à espera, numa pausa prolongada, e em duas ou três vezes que me davam para respirar e expirar, que eu dissesse alguma coisa, ...mas eu não sabia o que dizer. Atenta e expectante esperava que continuasse. E, começava a dissertar sobre o assunto, dava à história um final de afectos, de sentidos sentidos...
- Meu anjo, Apesar de todas as pessoas terem pele, como aquela menina que nasceu lá longe, um dia, há um outro tipo de pele, que não sei quantas camadas tem, que é a nossa fronteira, aquela onde vinculamos os afectos, os sentidos sentidos. Essa, é a mais importante de todas. Impermeabiliza ou não o que não gostamos e não queremos, ou o que gostamos e queremos, seja de fora para dentro ou de dentro para fora, seja do nosso mundo interior para o Mundo ou do Mundo para o nosso mundo interior. Quem não tem o corpo revestido por este tipo de pele, não tem fronteiras, logo não sente.
E, ficava calado...deixava-me naquela incógnita imensa a pensar o que quereria dizer com aquelas palavras, que me pareciam tão sábias sem as entender. Demorei alguns anos.
Hoje sei, porque Sinto...na pele.
Prémio Dardos
Este prémio foi um presente dado pelo Quicas, um dos meus seguidores e por quem tenho a maior estima e apreço. Obrigado, pelas muitas palavras que deixou no meu blog tantas vezes. Um beijo.
http://euquicas.blogspot.com/
Como contrapartida deste prémio, como devem saber, é com muito gosto que, mais uma vez, transcrevo os seus fundamentos e regras:
«O Prêmio Dardos é o reconhecimento dos ideais que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc... que em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, e suas palavras.
Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar o carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web».
Estas são as "regras" (acho que não há penalização para os eventuais incumpridores...!):
- Exibir a imagem do Selo no Blog
- Exibir o link do blog que você recebeu a indicação
- Escolher 10, 15 ou 30 blogs para dar a indicação e avisá-los.
- Exibir a imagem do Selo no Blog
- Exibir o link do blog que você recebeu a indicação
- Escolher 10, 15 ou 30 blogs para dar a indicação e avisá-los.
De seguida, partilho-o com todos os meus amigos e leitores destacando, hoje, entre eles, os seguintes, sem qualquer ordem de preferência, pois todos me merecem igual distinção:
domingo, 31 de outubro de 2010
Meteorologia de uma frente...
(Esta é uma história de frente a frentes...)
Frentes frias, frentes quentes,
que disputam o ar
que dominam, ou se deixam dominar
Na dianteira,
uma massa de ar quente em movimento,
Frente quente
frente ardente
frente urgente
sobre a cauda,
um ar frio, relativamente denso, imenso
que se deixa dominar pelo ar quente, mente
De onde nasce uma larga faixa de nuvens
Sem penugens
Antes, cirrus, cirrostratus, altoestratus,
...chuva fraca, persistente
estratus, nimboestratus
...Frente quente
Nevoeiro esparso
Frente quente
que se desloca lentamente
e se deixa agarrar pelo ar frio
ser sombrio
ser de aço
Frente fria
Frente oclusa
sem magia
obtusa
sem movimento,
por momento
Frente estacionária,
embrionária
Frente quente
transparente,
zona de transição
sem senão,
onde uma massa de ar quente e húmido
substitui uma massa de ar frio
sem prurido
sem pio
Precipitação,
sim e não
ar quente menos denso,
penso
transformado em massa sobe inteiro,
como guerreiro
por cima da massa de ar frio,
vigio
Precipitação
sim ou não
Passou.
Cumulus de bom tempo,
contratempo
Eleva-se a temperatura
antes da sua chegada,
velada
Cirrus
Cirrocomullus
Cumulonimbus
TROVOADA
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Bird Girl...Quetzal
É com vontade que GRRRIIITTOOOO,
que decido,
que quero voar
Tornar-me dona de mim por inteiro
sem amarras,
que me fixem,
que, de invisíveis me amarram,
me estancam e me despedaçam aos bocados...
Estou de saída de um mar denso, frio
calado, ...parado, sempre no mesmo sítio,
...não se move...não tem correntes...
nem frias nem quentes
que cristalizado, me afogou de todos os lados,
sem remorsos nem culpa...
Saio pelo meu pé,
viva,
deste Mar, em que mergulhei quando criança sonhadora
e onde permaneci sem respirar
De pulmões cheios de água
sem réstia de ar
Saio,
roxa,
estonteada, cambaleante...
Foi debaixo de água,
no silêncio
que me cresceram as asas,
sem que ninguém percebesse, que elas só servem para voar
...achavam, que enquanto molhadas, de molhadas não passavam...
Surpreendi-os...
Um dia os raios de Sol atravessaram o mar
e elas secaram,
ganharam vida e esplendor
Eram grandes, brancas,
e leves...
Emergi na direcção do Céu
num esvoaçar sóbrio e sereno,
planei...
Planando, dei a volta ao mundo,
adquiri uma outra perspectiva,
vendo tudo de cima
as coisas deixaram de ter a dimensão que lhes dava,
tudo era muito mais pequeno...
...grandes, grandes, eram apenas, o céu e a terra
esses sim,
a perder de vista...
Good bye..... Bird Girl, Quetzal...
*Quetzal, ave trepadora da América Central, que morre quando privada de liberdade.
domingo, 17 de outubro de 2010
(depois, de terminar de ler "Livro", do José Luís Peixoto)
Do lado de lá, a casa estava vazia... Ao longe, apenas se ouvia um rádio velho a tocar uma música nova e vozes que mal se ouvem, mal se interpretam porque sumidas se esgueiram por caminhos de multidão sem rumo, vindas da televisão acesa para ninguém ver ....e, já noite, acabou deitado,... depois de cumprir um ritual com insistência...Em vez de serenar através das palavras que lia e do amor transmitido por elas, rompia numa raiva cega, desmedida, desencorajada apenas pelo sono e pelo cansaço de mais um dia...
...Ilídio, pai do Livro...a poucas folhas do fim, deixava para trás Adelaide...
Livro, educado pela mãe de Lenine, recordava com dor a ausência de um Ilídio, pai, apaixonado e nunca presente, que por partidas do destino e do que ficou por dizer, e que foi tanto, nunca soubera senão com os olhos expressar o quanto a amava e o quanto queria partilhar com aquela mulher,...tudo...
"Essa, foi a primeira vez que os vi juntos. Nessa manhã, a minha mãe tinha quase setenta anos."...a história tinha tido início quando a mãe de Ilídio lhe colocara um livro nas mãos e o deixava à deriva, sentado no cruzeiro à espera da Vida. Cresceu sozinho no silêncio e acarinhado ao longe, à distância.
Adelaide acompanhou o destino, relatado pelo Livro, escritor, pág. 234....gosto...de...ti. Pág.235, ...não..me...conhece...
A duas páginas do fim, batem à porta do quarto a cada batida no teclado..."É a minha mãe. O Ilídio está ao seu lado. Estão calados a olhar para mim. Não sei ao que vêem......Eu sou um menino sem voz, podem fazer de mim o que quiserem...: - Já sabes o que tenho para te dizer. A minha mãe agarra a mão de Ilídio com toda a força, passa os dedos por dentro dos dele. As suas mãos formam um polvo receoso....Adelaide abraça o filho e Ilídio dá-lhe um aperto de mão ", a distância mantida entre pai e filho deixa-o descontraído.... se de outra forma fosse, não saberia como comportar-se apesar da idade....há coisas que só de pequenino se aprendem, se treinam, para podermos em mais velhos usufruir dessa aprendizagem.
Cosme, permanecia atento, queria guardar nas memórias o relato de tudo, queria testemunhar a reacção de Ilídio. Livro continuava a escrever...
Obrigado Luís, ...agradeço-te por me teres trazido até à última página e por seguir contigo até à última palavra...
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Estranhos hábitos...
Atendi como é habitual, dizendo:
- Estou, estouuuu.....Alôooo...
...do outro lado o silêncio era absoluto, ninguém respondia., e eu continuava,... alôoooo, ssiiimmmm...
espaçados, ouviam-se sons estranhos de uma orelha a roçar o auscultador, seguido do som de um carro que passava, testemunhando o alguém do outro lado da linha, que não se queria identificar...segundos depois, desligavamos...
...umas vezes eu, outras vezes a pessoa do outro lado.
No início, 5 a 6 vezes por dia, 2 a 3 vezes de cada vez...
de tal forma que lhe decorei os horários...ficava à espera, olhando incessantemente para o telemóvel...esperançosa.
A sequência acontecia compassada no dia,... 8.20/30h da manhã tocava a primeira vez, depois por volta do 12.40h, 14.30h, às vezes 16.00h, às 19.00h e por fim às 22.40/50h....muito raramente por volta da meia-noite.
Os horários, desvendavam algumas das rotinas de quem não se queria anunciar...
Acordava cedo e pretendia acordar-me também. De seguida trabalhava o resto da manhã sem tempo para estranhos hábitos...Chegada a hora do almoço, lembrava-me que eram horas de almoçar....
Acordava cedo e pretendia acordar-me também. De seguida trabalhava o resto da manhã sem tempo para estranhos hábitos...Chegada a hora do almoço, lembrava-me que eram horas de almoçar....
De tarde, eu imaginava que deveria ter horários menos rígidos ou menos disciplinados, se bem, que foram vários os dias em que ligava apenas às 14.30h para dar início ao período da tarde e depois apenas por volta das 18.30h....constatava...Outras vezes, recebia uma chamada por volta das 16.10h e voltava a tocar apenas no dia seguinte.
Deixei de atender durante uns tempos.
Este era o ritual que o meu telemóvel tinha de há três semanas para cá. Atendi pontualmente...Na verdade, não tinha o hábito de atender chamadas anónimas, mas alguma coisa me dizia que estas, devia atender,!!!!!....era, como se tivesse deixado, que os sentidos conduzissem a minha vida ou a minha existência....e deixei mesmo!!!!!...
No início julguei ser alguém que me conhecesse e que me queria falar...Mas, na verdade, quando atendia....verificava, que afinal não tinha coragem ou, não sabia o que dizer...Depois, achei que era alguém que queria apenas ouvir a minha voz, mas não queria ser ouvida....apesar de não fazer sentido, porque a minha voz não tem um timbre especialmente bonito...
E o que haveria eu de ter, para dizer a alguém que só ouvia do outro lado e não falava...!!!??!!!!
Ainda assim, coloquei a hipótese de desenrolar um monólogo de voz doce...mas desisti.
Cheguei a pensar mais tarde, que pretendia apenas aborrecer-me,.... ou, porque, eu própria a tivesse aborrecido, ou por outra razão qualquer que não consigo considerar...Mas, também esta hipótese caia por terra, porque as pessoas que conheço e me conhecem sabem que resolvo tudo com uma boa conversa...sem esconderijos...
E o que haveria eu de ter, para dizer a alguém que só ouvia do outro lado e não falava...!!!??!!!!
Ainda assim, coloquei a hipótese de desenrolar um monólogo de voz doce...mas desisti.
Cheguei a pensar mais tarde, que pretendia apenas aborrecer-me,.... ou, porque, eu própria a tivesse aborrecido, ou por outra razão qualquer que não consigo considerar...Mas, também esta hipótese caia por terra, porque as pessoas que conheço e me conhecem sabem que resolvo tudo com uma boa conversa...sem esconderijos...
Concluí então, que isto só poderia estar acontecer vindo de alguém que não me conhece de facto... É difícil pensar pelas cabeças dos outros e considerar todo um universo de possibilidades, que certamente me transcendem em raciocínio...e, mais complexo ainda, é tentar adivinhar o que as motiva a fazer telefonemas a alguém, sem nunca dizer nada...
Os dias passavam marcados essencialmente pelas chamadas de ninguém, que me queria fazer notar que existia, tanto assim, que me ligava...e eu registava, cada chamada na minha memória e na memória do meu telemóvel para a posteridade.
Alguns dias depois, comecei a notar algumas ausências em determinados horários, as chamadas começavam a escassear, ...os primeiros quinze dias tinham apresentado este ritual...Fazia a cronologia dos acontecimentos telefónicos e notava com uma tristeza estranha de explicar, que eram cada vez menos...Sentia-lhes a falta...
Continuava a receber, mas agora, já sem regra nenhuma....
De manhã, não me acordavam pelo que adormecia, ...não almoçava, porque ninguém me lembrava a hora do almoço, ....não lanchava e havia dias que ninguém sequer, me dizia Boa Noite, trrrinntando...Havia dias, que só me acordava.....havia outros, que me lembrava que era hora de dormir e no dia seguinte me dizia, que era hora de almoçar....
Mas, não havia dia que não tocasse...Perdi as rotinas, baralhei os hábitos, comecei a ficar confusa e sobre tudo entristeci...
De manhã, não me acordavam pelo que adormecia, ...não almoçava, porque ninguém me lembrava a hora do almoço, ....não lanchava e havia dias que ninguém sequer, me dizia Boa Noite, trrrinntando...Havia dias, que só me acordava.....havia outros, que me lembrava que era hora de dormir e no dia seguinte me dizia, que era hora de almoçar....
Mas, não havia dia que não tocasse...Perdi as rotinas, baralhei os hábitos, comecei a ficar confusa e sobre tudo entristeci...
Percebia, que aos poucos, a pessoa perdia a vontade inicial que tanto a determinara semanas antes, a ligar para mim ...ou para ouvir a minha voz, ou até admito a possibilidade de me querer aborrecer...mas a verdade, é que escasseavam a cada dia os telefonemas e o nº de toques...
Sofia, sofria com este acontecimento. Vivia sozinha, havia muitos anos e nunca fora uma mulher de muitas amizades nem no trabalho nem na vida, não tinha família nem namorado, nem sequer um animal de estimação...Vivia acompanhada apenas da solidão e de personagens e personagens que se amontoavam em prateleiras espalhadas por toda a casa. Nenhuma delas saia da sua história ou tinha o hábito de lhe perguntar porque estava triste, quando estava triste, ou porque estava alegre quando estava alegre ...se precisava de ajuda,... ou se queria desabafar alguma preocupação.
Sofia, habituara-se a viver só, sem partilhar nada.
Lá no fundo, sentia vontade de o fazer, de ser igual aos demais nas virtudes e nos defeitos, mas não tinha com quem...um amigo, uma amiga, um namorado...
Quando surgiram os telefonemas anónimos, alimentou a alma e a esperança...de ter alguém por companhia, mesmo que fosse apenas para falar ao telemóvel...
Sofia, habituara-se a viver só, sem partilhar nada.
Lá no fundo, sentia vontade de o fazer, de ser igual aos demais nas virtudes e nos defeitos, mas não tinha com quem...um amigo, uma amiga, um namorado...
Quando surgiram os telefonemas anónimos, alimentou a alma e a esperança...de ter alguém por companhia, mesmo que fosse apenas para falar ao telemóvel...
Perdera-se dos anos e os anos haviam se perdido dela. Quando se autorizava a sonhar, acreditava que um dia, alguém viria na sua direcção, uma outra metade de si...confiava cegamente no destino e no seu futuro, apesar deste se lhe apresentar cada vez mais curto.
O que poderia parecer aos olhos de todos estranhos hábitos, eram para ela uma forma de companhia e uma possibilidade de realizar sonhos...
Mas na verdade, a sequência dos acontecimentos indiciava que um dia os telefonemas anónimos iam terminar para tristeza sua...O que poderia parecer aos olhos de todos estranhos hábitos, eram para ela uma forma de companhia e uma possibilidade de realizar sonhos...
Um dia, fui surpreendida e ouvi uma voz masculina, dizendo:
- Eu amo você... Eu amo você...para se calar de seguida.... aquele timbre, não lhe era completamente desconhecido...
Não consegui dizer nada, faltou-me a voz...
sábado, 9 de outubro de 2010
O céu desaba...e as nuvens aplaudem
O céu desaba...chove muito...chove bastante...
o céu está carregado, as nuvens são densas ...
De tal modo, que olhando para elas percebo que vão precisar de muito tempo para ficar aliviadas, mais leves, mais sorridentes...
Faz algum tempo que as sentia pesadas,
cheias,
a transbordar...
Mas não haviam meio de rebentar.
Passeavam por cima da minha cabeça,
de lá para cá e de cá para lá, impacientavam-se...
sem saber que destino tomar,
confusas, confundidas engoliam um pouco mais
e tornavam-se ainda mais cinzentas,
como se não bastasse, o meu amigo vento apareceu
vinha forte, cheio de força
soprava igualmente zangado
por cima de mim...
Uivava alto, sem misericórdia
empurrava as nuvens umas contra as outras
como se as quisesse espremer
até que gritassem,
gritassem alto,
,,,mas fui eu que acabei por gritar
PAREM, PAREM QUE ME ESTÃO A MAGOAR!
Dizia eu, cá de baixo quase esmagada por elas.
Sem dó, sem piedade ou qualquer tipo de compaixão
nenhum me ouviu...
Percebi em poucos instantes, que precisavam desabar em cima de qualquer cabeça,
não interessava qual...e, porque não na minha!
Teimava e revolvia as minhas ideias em turbilhão e perguntava-me, porque me tinham escolhido?
Não entendia...
com tantas cabeças por aí, e algumas delas, responsáveis certamente, por toda a agonia sentida pelas nuvens e a raiva espelhada no rosto do vento, porque seria a mim que pretendiam esmagar????!!!!
Enquanto me questionava...
em poucos minutos, o vento e as nuvens comprimiam-me contra o chão,
a chuva forte, que não deixava ver nada através de si,
apagava o rasto e tornava-se cúmplice...
Começou a trovejar... ninguém me ouvia gritar
e depois de esmagada, sucumbi...
as Nuvens e o Vento, ficaram aliviados...finalmente.
As Nuvens tinham agora outra cor, mais brancas e mais leves,
o Vento tinha ido embora à sua vida...
Continuara magoado e desconfiado...abrandando a ira momentânea...
As nuvens confundidas e aliviadas, sem rumo, partilhavam o céu, à deriva...
E eu...eu, abracei a vida de novo, num outro estado...entristecida, porque eles quase, que eram meus amigos...
o céu está carregado, as nuvens são densas ...
De tal modo, que olhando para elas percebo que vão precisar de muito tempo para ficar aliviadas, mais leves, mais sorridentes...
Faz algum tempo que as sentia pesadas,
cheias,
a transbordar...
Mas não haviam meio de rebentar.
Passeavam por cima da minha cabeça,
de lá para cá e de cá para lá, impacientavam-se...
sem saber que destino tomar,
confusas, confundidas engoliam um pouco mais
e tornavam-se ainda mais cinzentas,
como se não bastasse, o meu amigo vento apareceu
vinha forte, cheio de força
soprava igualmente zangado
por cima de mim...
Uivava alto, sem misericórdia
empurrava as nuvens umas contra as outras
como se as quisesse espremer
até que gritassem,
gritassem alto,
,,,mas fui eu que acabei por gritar
PAREM, PAREM QUE ME ESTÃO A MAGOAR!
Dizia eu, cá de baixo quase esmagada por elas.
Sem dó, sem piedade ou qualquer tipo de compaixão
nenhum me ouviu...
Percebi em poucos instantes, que precisavam desabar em cima de qualquer cabeça,
não interessava qual...e, porque não na minha!
Teimava e revolvia as minhas ideias em turbilhão e perguntava-me, porque me tinham escolhido?
Não entendia...
com tantas cabeças por aí, e algumas delas, responsáveis certamente, por toda a agonia sentida pelas nuvens e a raiva espelhada no rosto do vento, porque seria a mim que pretendiam esmagar????!!!!
Enquanto me questionava...
em poucos minutos, o vento e as nuvens comprimiam-me contra o chão,
a chuva forte, que não deixava ver nada através de si,
apagava o rasto e tornava-se cúmplice...
Começou a trovejar... ninguém me ouvia gritar
e depois de esmagada, sucumbi...
as Nuvens e o Vento, ficaram aliviados...finalmente.
As Nuvens tinham agora outra cor, mais brancas e mais leves,
o Vento tinha ido embora à sua vida...
Continuara magoado e desconfiado...abrandando a ira momentânea...
As nuvens confundidas e aliviadas, sem rumo, partilhavam o céu, à deriva...
E eu...eu, abracei a vida de novo, num outro estado...entristecida, porque eles quase, que eram meus amigos...
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