chovem homens na obra de René Magritte...
...I close my mouth and spoke to you in a hundred silent ways...
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
domingo, 12 de dezembro de 2010
Recortei a costa...
Saí sem veleidade de passear...
Levava comigo alguns pertences, uma garrafa de água, uma maçã e um livro, o que deixava adivinhar que o passeio saberia ser prolongado - nem eu sabia ao certo, mas gostava de me precatar em terra sempre que ia para o mar.
Submeti o meu corpo capitaneado pelos meus pés, a adoptar a direcção Norte. Apresentavam-se-me duas hipóteses: ou, seguia ao lado da estrada não concebendo um passeio com tormenta permanente, de um vrummm vrumm trauteado a cada carro que passava, ou, descia à praia e seguia o recorte da costa ao som do mar e de uma maré vazia.
Preferi a segunda.
De cima, no miradouro, alcancei que a praia estava nua. O mar tinha levado muita da areia que deixei lá no último Verão, e viam-se-lhe os ossos acentuados. Todas as rochas que a constituíam eram visíveis. Desci.
As anfitriãs eram as gaivotas, já adultas, que davam as boas vindas a quem por ali se aventurasse. Ao fundo das escadas da Praia do Matadouro, eram as fragas que se estendiam no caminho. O mar chão, balouçava baixinho, para cá e para lá enquanto eu ia fazendo comparações entre aquele lugar onde tinha estado deitada apanhar sol em dias de calor, confortada pela areia, e o monte de geios que aquele mesmo lugar apresentava agora, hoje, em plena maré frívola. Percorri a praia cimentando todas as analogias que a minha memória conquistava recordar, das reminiscências que me restavam da última estação.
As gaivotas quedavam-se e encontrava-me agora com os maçaricos do mar, que debicavam ouriços arrastados à força e deixados à vista pela inexistência da água; viam-se lapas pequenas, agarradas ás rochas como crianças em idade muito tenra, que temem os estranhos e nos virão a cara, rejeitando a medo, o desconhecido – Aliás, o que continuamos a fazer mesmo depois de adultos, com uma dificuldade acrescida, a de não termos a quem nos agarrar, o que torna tudo mais difícil -, momentos que nos postam à prova e que nos conferem, igualmente duas opções: ou o encaramos e o vencemos, tornando-nos mais fortes; ou, o medo toma conta de nós para o resto da vida, de quem seremos eternamente reféns.
Perdida em todas estas meditações que me furtavam a raciocínios infindáveis, seguia o meu velejo praia adentro. O Sol, que já ia alto aquecia-me agora o corpo e sublimava a temperatura de tal forma, que me aliciava ao ponto de tirar o blusão roxo de penas. Coloquei-o à cinta, onde similarmente gostava de estar.
Cheguei ao final daquela praia e só tinha uma desembocada, alar-me de novo, como tantas outras vezes e encontrar-me com a civilização. Era obrigada abandonar o mar, sozinho, por instantes. Foi o que fiz, sem ânimo. Os ritmos seguintes seriam feitos ao som dos automóveis que transcorriam.
Poucos minutos e metros depois, feliz por ir ao seu encontro de novo, entrei no caminho de terra e pó amarelo que me levava à praia seguinte. Deixava para trás momentos de deleite, singulares, que me ofertavam a tranquilidade bastante e o prazer costumeiro da proximidade com a natureza.
Cheguei à praia seguinte, praia da Empa. A vista era sumptuosa, como, por tantas vezes, já havia atestado. Parei agraciar, olhava para um e outro lado e só via mar à minha frente. Um mar calmo, doce, absolutamente sedutor. A cor e o cheiro que tinha, subjugava qualquer outro desejo ou sentido que pudesse imaginar.
Desci as escadas, eram de madeira. Já ali tinha estado outras vezes, mas nunca porfiava para além daqueles degraus de madeira.
Hoje, era o dia em que granjeava uma contiguidade maior e a maré rasa franqueava a aventura. Sempre que tinha ensaiado descer a esta praia, coincidia com marés cheias e rebeldias, com deferência, que se sabiam fazer respeitar. Por isso, nunca tinha conseguido ver para a minha direita, o que existia para além de um cachopo impune e muito rocado à mistura.
Havia roupas espalhadas nas rochas, certamente de surfistas aventureiros, o que, com muito esforço alcancei burilar ao longe. De tão longe, eram tão exíguos.
Escalei por cima de rochas a cuidado e rumei de novo a Norte. O livro, de quem já me tinha esquecido, mas que tinha resolvido levar hoje a passear, resolveu fazer-se notar e atirar-se para o chão.
- Bolas. ...disse...e, pensei...
Felizmente, que não resolveu mergulhar em águas fundas; pobres letras e palavras de Gonçalo se tivessem apresentado outras vontades, morreriam afogadas numa praia quase virgem que só é possível romper quando as águas nos permitem. Não queria o destino que aquela história ou histórias que transportava comigo, que todos aqueles personagens inventados por outro alguém, mergulhassem para além-mundo dos livros, sem que eu o pudesse ler.
Recuperei-o, por entre o musgo verde-escuro que cobria de forma rala aquele rochedo ainda jovem, carregado de covinhas de encantar, cheias de água salgada onde existia vida, noutras formas. Tinha a certeza.
Prossegui na mesma direcção, determinada, depois de ter derrotado e dobrado o rochedo maior atrás de mim. Olhei em frente e vi uma praia pequenina de areia dourada, que não tinha qualquer pegada humana.
Estarreci, enternecida...Era a primeira vez, que a via de facto...
Pisei a areia e cuidei, que esta teria sido a mesma sensação que teve, o primeiro astronauta quando pisou o solo lunar. Agigantei nos pensamentos, eu sei, mas não me importo com isso,... desfrutava integralmente do som do mar que tinha de volta aos meus ouvidos, da visão de uma praia completamente deserta, que era naquele momento só minha.
Que vontades esquivas, tomam conta de nós, de vez em quando. A minha alma estava feliz, era o que importava. Atravessei-a, até à outra ponta, ainda mais a Norte. Olhava para trás e via ao longe uns pontinhos pretos, que os meus olhos não conseguiam identificar com precisão, o que deviam ser os dois surfistas conquistando ondas dóceis.
Imaginei que pudesse estar na direcção do Velho Forte, porque não conseguia fitar nada senão uma encosta muito alta, com ar de Adamastor, como se fosse um gigante que estava ali para não deixar passar o mar. Dobrei aquela proeminência costeira e encontrei outra praia mais pequenina ainda, com ar envergonhado, igualmente sem acesso nenhum.
Não lhe conhecia o nome, mas era uma praia guardada pelo Velho Forte. Antes da sua existência, não era guardada por ninguém. Este, seria o seu velho e único amigo, que jazia em ruínas a seu lado, para o que desse e viesse. Ele estava decidido a tomar conta dela até ao seu fim. Talvez, fossem avô e neta, não cheguei a perguntar, imaginei apenas.
Por momentos pensei descer e alcançar Ribeira d’Ilhas, mas as forças, o cansaço e a sensação de que aquela costa era interminável retiravam-me a vontade de continuar. Estava saciada.
Voltei para trás, subindo e descendo pequenos rochedos, até me abalroar na areia de novo, da praia de areia dourada. Não havia pássaros por aqui, nem gaivotas, nem maçaricos. O Sol estava demasiado quente para Dezembro e obrigava-me a fazer uma pausa para descansar. Bebi as ultimas gotas de água, que restavam no fundo da garrafa que levara comigo. A paisagem e o silêncio eram ópio, pousei o que tinha em cima do casaco roxo e despi-me…O mar de um lado, a terra do outro…repousei..., flutuei...
…voltei à reminiscência quando já me encontrava sentada num banco de pedra, à sombra, longe daquela praia de sonho. Descalcei-me, e foi quando entrei em Jerusalém com a devida atenção. À minha frente tinha agora uma louca, Mylia, que estava doente, um médico, Theodor e Hannah, uma jovem prostituta, que me aguardavam carentes de atenção, cansados. Dediquei-me a eles durante uma hora.
Deixava-os mais tranquilos e recolhia agora a casa, cheia de ideias e uma enorme vontade de escrever, maior que a convicção que tinha quando o fazia de facto. Atropelavam-se as imagens, as palavras, as frases, os momentos, os pormenores,...
...Já em casa, pensei...Hoje, recortei a costa e passeei por praias desconhecidas.
Insólito
...O dia tinha nascido convidativo a um passeio à beira mar, sem que eu estivesse com vontade de aceitar qualquer convite que fosse, que me quisessem dirigir. No entanto, algum tempo depois…
O meu estômago decretara aceitar o convite e tomar o pequeno almoço na esplanada, acedi.
Saí sem veleidade de passear, obrigando-me no entanto, a contrariar uma força ociosa que me empurrava para não fazer nada. O único objectivo estabelecido para o dia de hoje, era fazer a árvore de Natal, que há cerca de um ano esperava sair da caixa, para respirar e ver a luz do dia. Mas, confesso que a vontade não era grande, nem pequena, não existia simplesmente.
Começara a conceber o balanço mental, de final de ano. Talvez, por isso, o meu pensamento absorvido por estes encontros de contas, convenientes nesta época, a pessoas e a empresas, não deixasse espaço para lavores supérfluos e falazes de uma árvore presunçosa que sempre que saia à rua, planeava apenas brilhar.
Saí a porta. Abandonando, uma casa que queria vestir-se de Natal, só porque chegava o momento. Não me apetecia perpetuar esta quadra agora, talvez tendo presente o prolóquio que, - Natal é quando um homem quiser - e, que estou tentada a concordar. Na verdade, andava ocupada em enunciar objectivos para o ano seguinte…!!!
Desci a rua sozinha e ao fundo encontrei o café do costume. Sentei-me na esplanada e preparei-me para pedir o habitual, como se fosse a primeira vez. Fui de tal forma persuasiva na proporção das palavras, que consigo antever a expectativa que aleito na cara do empregado…para, de imediato, o desapontar, limitando-me a pregar o mesmo de sempre. Voltou costas na direcção do balcão, decepcionado comigo.
Afinal, quando me aborda, a cada fim-de-semana, noto que se me dirige com uns olhos de esperança, de que, é hoje, que o vou surpreender e vou pedir uma coisa distinta. É, como se pressentisse os seus pensamentos quando se avizinha. É denunciado pela atitude que manifesta, não tanto no que diz, mas no que acompanha as suas palavras.
- Bom dia…O que deseja? … verbaliza, numa confiança reavivada …
Atentando nos seus olhos, quase o consigo enganar. Respondo, fazendo algumas suspensões, que lhe apontam que hoje, vou pedir algo diferente para comer... Lastimando desapontá-lo, limito-me a pedir o mesmo de sempre, escondida nos óculos escuros.
- Meia torrada e uma meia de leite, por favor.
Não gosto de decepcionar ninguém, mas aquela fusão de pingalho e alimento é o que, deveras me sabe bem comer ali, naquele café, àquela hora, sempre antes de um passeio junto ao mar, ainda que por decidir o meu destino.
Acabei de tragar ao som de uma conversa de fundo, de alguém que, atrás de mim, falava mais alto do que os meus próprios pensamentos e dirigi-me ao balcão para pagar, depois de uma investida gorada de chamar o mesmo empregado decepcionado, para me fazer a conta.
O preço, era sempre igual, afinal era também sempre a mesma coisa que pedia para comer. Mas eu reincidia e encetava sempre, junto à caixa registadora, a mesma pergunta:
O preço, era sempre igual, afinal era também sempre a mesma coisa que pedia para comer. Mas eu reincidia e encetava sempre, junto à caixa registadora, a mesma pergunta:
– Quanto é?...perguntava, à empregada…
...agora, era eu que estava à espera, estupidamente, que um dia, ela me surpreendesse. Não havia sequer razão para tal pergunta. Talvez, procurasse testar a empregada, sem qualquer motivo e alcançar se iria falhar a resposta um dia.
Não me surpreendera.
Como se de um jogo se tratasse, a título de recompensa, passava-lhe o dinheiro certo para a mão. As duas moedas impacientes esperavam na minha, desde que me tinha levantado da mesa.
Saía sempre com a mesma impressão dali, de que era uma situação caricata, desde que chegava até que saía, porque se afinal eu e os empregados sabíamos aquele papel de cor, porque o representávamos inúmeras vezes no ano!!!… questionava para dentro de mim, que sentido fazia perdermos tempo em cumprir todo aquele protocolo de formalidades absurdas, que ainda por cima nos deixava uma sensação de idiotas!!!
Esqueci o assunto...
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
O próximo livro...Jerusalém, de Gonçalo M. Tavares
...o próximo livro que se vai aninhar ao meu lado, quando as minhas mãos e os meus olhos se fecharem, pesados pelo cansaço de mais um dia...
"...Um livro não se pode apagar..."
!!!!!!!!!
Já não sei como conheci o Pedro Miguel Rocha, não foi assim há tanto tempo. Foi via Facebook, provavelmente, sugerido por algum amigo comum, confesso que não me recordo.... Por essa mesma via tive conhecimento que iria lançar o seu 2º livro, fiquei curiosa. Mas, foi uma frase que um dia colocou no seu mural que me chamou, realmente, atenção:
"Arriscaria a sua vida para salvar um livro?"... achei a pergunta um desafio interessante, nunca tinha equacionado ou formulado uma pergunta do género a mim própria ...
Comprei...
A história acontece em torno de um jovem galego de 23 anos, chamado Xosé Perez, que escreve o seu primeiro livro, onde impera o sonho, a utopia e o desejo profundo de uma organização social diferente daquela em que vivemos.
Chris Brown é um bibliotecário curioso...que encontra o único exemplar da obra, anos mais tarde, num depósito da biblioteca de Old Harlow, que o lê e, que tenta perceber que pessoas ou organizações é que nunca permitiram a sua publicação.
Adorei a história com apontamento de thriller, mas fundamentalmente fiquei impressionada com a mensagem que esta obra nos oferece. O livro caracteriza na perfeição as sociedades dos nossos dias, as pessoas e os seus interesses, a organização de vida, a parametrização, a massificação uniforme, tendo por base uma vaga materialista que nos envolve e suga, e em que as grandes empresas mundiais e o seu capital económico controlam os governos, os políticos, os cidadãos.
...
"A vaga materialista já nada mais tem para dar, sendo mesmo prejudicial se continuar a reger a vida dos seres humanos. O Mundo está, actualmente, encravado em múltiplas e continuadas crises que só serão desanuviadas e desencravadas com o clarificar de uma nova civilização: respeitadora do passado, das tradições e, acima de tudo, desmaterializada."
...contra a publicação do Chegámos a Fisterra, existe a Federação do Futuro, a caminho da cidade com o espírito mais capitalista do Mundo...
...Acabei de deixar, Chris Brown a escrever as últimas linhas deste livro sentado na sua secretária...
"Um livro não se pode apagar. Ele vive para além do seu autor e a sua mensagem perdura enquanto os leitores assim o desejarem."... acrescento: Um livro que nos faz pensar...
"Chegámos a Fisterra", um livro de Pedro Miguel Rocha
Até qualquer livro...
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Palavras molhadas...com alegria
…e, sempre que a chuva cai sem piedade, como ontem, como hoje, elas querem fugir de casa, fugir de um texto qualquer, que não fazia sentido, onde não gostaram de estar e saltitar simplesmente. Soltas, livres.
Tal como eu, elas abraçam o barulho da chuva, num som repleto de outros timbres inaúditos e gostam de se rebolar por entre os pingos mais intensos, murmurar outras palavras pequeninas ao mesmo tempo, sentir o odor da terra acabada de molhar.
Entram num frenesim desconcertante, perdem a compostura, amarram palavras umas às outras e fazem um cordão delas, textos novos. Saltam à corda, jogam, cantam, dançam sem parar. Surgem enlouquecidas de todos e por todos os lados, esgueiram-se pelos intervalos mais estreitos entre uma e outra gota.
Instala-se a euforia desmedida e não contida de maneira nenhuma, não têm mãos a medir, querem molhar-se, querem falar sobre chuva, sobre alegria, sobre amor, sobre tudo o que as encanta. E, olhando para o céu que continua carregado, fogem para o meio da chuva, para um mar nunca antes navegado.
Derramadas, caiem exaustas ao som das últimas gotas…
Alma ao vento...
O que trago dentro da alma, é muito mais do que corpo
É altruísmo, é compaixão, …é um porto.
É um amanhecer…,
é um amor desenvolto
que não será ofuscado, nem podado, nem mar morto…
De uma sombra desfocada do que fui, do que serei
Iludida pelas margens de um rio que corria à minha frente
Pus um pé em ramo verde,
queria brincar, queria ser gente…
Imaginei.
Eram sonhos de criança que me inundavam a vida,
numa esperança desmedida como então havia poucas.
Não me fiquei por aqui.
Fiz disparates..., senti..., fiz coisas loucas.
E de tantas experiências
acabei a acreditar
Que um dia nascia uma frente, tornada quente, que me diria
Que imaginar e amar,
é o sonho de toda gente
Quando um dia, a caminho do vento Norte
Numa tempestade esguia, entremeando relâmpagos
encontrei a minha alma
Sempre calma, tranquila, no seu bote
E, da minha alma despontou um vento
que me avivou a memória
Em que acabei testemunhando
Que este corpo quis tantas vezes, amar apenas…
Sem prisão, submissão ou vitória
Por quantos sonhos manteve, este meu corpo inventado
Abraçou a minha alma
Desculpou-a, fatigado.
Deixando-lhe uma lição
Sendo corpo, alma ou paixão
Terá direito a amar, a sonhar, sem direcção.
domingo, 5 de dezembro de 2010
sábado, 4 de dezembro de 2010
Para o infinito e maiiisss aallémmmmm...
BBBBBBRRRRRRRRR, qqqqqqqqqqqquuuuuueeeeee fffrrriiioooooo...
...este foi o filme da tarde, no quentinho, com os sobrinhos...um filme delicioso da Pixar...
...quem me dera por vezes ser como o Sr. Batata e infiltrar-me aos bocadinhos onde quisesse...primeiro a orelha, depois um olho, a boca, um braço, outro braço....e por aí a diante...::-))
...ou quando alguém é mau na vida, poderíamos carregar no Reset, para recomeçar de novo, como fizeram ao Buzz...e, voltava a ser bom...::-))
...no conforto...lembrei-me e perguntei aos grandes e aos pequeninos:
- Onde será que estão abrigadas as pessoas que não têm casa, no dia de hoje, com tanto frio?...
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Tratado sobre a Amizade..."...talvez exista, uma pitada de Eros no fundo de todas as relações humanas."
...No Outono, de regresso da Bretanha, a família Heitzing ruma a Viena, onde puseram o menino no colégio militar...
"Eram como crianças que brincam vestidas de soldados. Calçavam luvas brancas e faziam continência com graciosidade.";"Tinham dez anos quando se conheceram." ..., era o início de uma longa amizade entre um menino rico e um menino pobre...
"Só os homens conhecem esse sentimento. Chama-se amizade."
Konrád havia tocado a 4 mãos, com a mãe de Henrik a peça - Fantaisie Polonaise, Chopin...e depois de passada a adolescência e de entrar na idade adulta, desaparecera, sem despedidas, durante quarenta e um anos e quarenta e três dias...
...
O Konrád escreveu - disse o general;
Ele está cá na cidade - disse o general à ama, em voz baixa,...Vai jantar aqui."
...o general Henrik dava instruções a Nini (ama), enquanto esperava o convidado...
"- As velas - disse. - Lembras-te?...As velas azuis da mesa. Existem ainda? Acendam para o jantar e deixem-nas arder."
...sentaram-se à mesa e perdidos na última conversa, as velas arderam até ao fim...
....um romance brilhante de Sándor Márai....22.35h, Acabei agora mesmo de o ler, e sou obrigada acrescentar que é uma extraordinária reflexão sobre a amizade, a vida, as concepções, os preconceitos, o respeito, a admiração, a verdade, a mentira, a traição, as fraquezas, a vaidade, paixão.... Metade da obra é quase um monólogo perfeito e de introspecção...muito bonito, mesmo...
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Nocturno - O romance de Chopin
...por Cristina Carvalho.
Acabei de ler este maravilhoso livro.
"De Zelazowa Wola a Varsóvia ou de como tenho saudades de não ter saudades"
sábado, 27 de novembro de 2010
Livre- arbítrio...
Drummond, estaria perdidamente apaixonado quando escreveu este poema...Que bom Drummond, que não sentes vergonha de dizer ao mundo, tudo o que sentes, a intensidade do que sentes...
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
... Num dia de greve geral...
...marcado por momentos especiais, ...este, foi sem dúvida um deles...
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Amanhã, vou ter o prazer de falar com este grande homem e escritor, pessoalmente. Apesar de haver amigos de amigos, família de amigos que nos estreitam os laços, nunca falamos senão via Internet. Um escritor que admiro como homem e que me leva para paragens tão distantes, fantásticas, mas também reais, onde a luta pela sobrevivência se fez corpo a corpo, onde os ideais de vida permanecem inalterados apesar da mudança dos tempos, onde as preocupações ambientais são uma constante.
O Velho que lia romances de amor; História de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar; As rosas de Atacama: O mundo do fim do Mundo; Encontro de Amor Num País em Guerra; são alguns dos livros dele, que li. E, agora, Histórias daqui e dali.
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Vida morna...de Fernando Pessoa
Ainda pior que a convicção do não, é a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase!
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perderam por medo, nas ideias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no Outono.
Pergunto-me às vezes o que nos leva a viver uma vida morna.
A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e na frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos bons dia, quase sussurrados.
Sobra covardia e falta de coragem para ser feliz.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor.
Mas não são.
Se a virtude estivesse mesmo no meio – termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco – íris em tons cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Preferir a derrota prévia à dúvida da vitoria é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Para os erros há perdão, para os fracassos, chance, para os amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar a alma.
Cujo o fim é instantâneo ou indolor não é romance.
Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você.
Gaste mais horas realizando, que sonhando…
Fazendo que planeando…
Vivendo que esperando…
Porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.
Fernando Pessoa
Obrigada Cristina pelo envio do poema fantástico, que não conhecia, bjinhos.
Obrigada Cristina pelo envio do poema fantástico, que não conhecia, bjinhos.
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
O ensaio...
Numa luta desigual, em que a vontade mental teima para que viva e a morte me quer levar, procuro desesperadamente uma enseada onde possa largar o meu corpo, aconchegado à terra e fazer livre de uma vez por todas a minha alma, que nunca aprendeu a viver de outra forma.
Sinto um curto-circuito interior que me arrepia, que me faz estremecer... e picadas ao de leve por todo o corpo, como se um formigueiro me atacasse e me corroesse por dentro, sem mágoa, sem pena de me ver partir. Perco as forças a cada dia, não consigo equilibrar o esqueleto, este pequeno conjunto de ossos que foram crescendo comigo e perdendo a esperança aos poucos de um dia viver hirto, em harmonia com a vida, onde as pessoas são felizes ao lado umas das outras, num país brilhante. Esse momento, já passou e eu quase nem dei por ele. A curva é agora descendente.
Tenho medo de tropeçar, cair e desordenar a ordem...
Assisto de fora a um caos interior, lento, que sinto. O meu cérebro troça e não acompanha o desmoronar do corpo que me deram...
Acabei de fazer um acordo com a Vida. Morro agora e volto a nascer amanhã, num outro corpo "novinho em folha", forte e são, onde a energia dominará todas as minhas células e, em troca, prometo tomar conta dele muito melhor, que do primeiro que tive. Não terá vícios, terá consciência de que não é indestrutível, saber-se-à posicionar correctamente em cada momento, não exercerá esforços em excesso nem em defeito, e talvez assim o consiga convencer a viver eternamente, com o mesmo esplendor de quando alguém o trouxe ao mundo.
Dei cabo dele, gastei-o, abusei dele, fiz do meu corpo um carrasco, o meu próprio carrasco... por desconhecimento, por inocência e ingenuidade. Ao olhar para os demais seres vivos entendi-me em tudo melhor que eles. Mais inteligente, mais forte, mais tudo...
...e, o carrasco tomou conta de mim. Fui amarrada, chicoteada, apedrejada, taparam-me a boca, quase não respiro...apenas, um fio de ar me percorre as veias e não me deixa morrer no verdadeiro sentido da palavra...
Não aguento o que não quero, o que não gosto, não aguento mais nada...
Vou aconchegar-me aqui, nesta curvatura da costa, reentrância aberta na direcção do mar ladeada por dois promontórios. Fecho os olhos e vejo-o a ele, o mar e vejo-me a mim, a ir embora...
...
Antes de voltar de novo à vida, amanhã, explicam-me, que a minha existência anterior...
afinal, não passava de um Ensaio...
...A vida só será plenamente vivida quando voltarmos pela segunda vez...Aí sim,... Vai começar o ESPECTÁCULO...
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
O tempo que o tempo tem...reflexão
O tempo que o tempo tem...
O tempo tem tempo para tudo,
...nós não
O tempo tem tempo para nós,
para ele,
e ainda lhe sobra tempo para os outros,
...nós não
O tempo, gasta o seu tempo em tudo quanto leva tempo,
...nós não
Ao tempo sobeja até tempo
...a nós, não
Em que gastamos nós afinal o tempo??!!!
sem ser em tempo e no tempo que gastamos..
...gastamos o que não temos... tempo
tempo é espaço...
gastaremos nós o tempo e o espaço!!!!!!???
Estou sem tempo...
e sem espaço vos escrevo,
na esperança de que o meu tempo, substancie o gastar do meu próprio espaço
e, sem tempo, gasto o espaço que não tenho...
porque, não tenho tempo.
Penso:
"Esta utopia do progresso ininterrupto"
...abençoado tempo que gastei, em companhia da amizade. O espectáculo terminara, o teatro fechara as portas, o público todo tinha saído e nós sozinhas num cenário fantástico de vazio...trocavamos palavras perdidas, no teatro...pela noite fora.
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