Subia a rua mais sinuosa e mais cinzenta de todas...
Maria vinda do caos, regressava de novo, agora...
ao mundo dos conceitos e dos preconceitos, dos esconderijos, das regras, das vicissitudes, das teorias sem sustentação, das frases feitas, das pequenas ditaduras, das democracias fingidas, da vaidade das elites, das crianças sem futuro sustentável, dos cegos por opção, dos voluntários à força, dos infelizes sonhadores, dos devastados por uma vida de esforço sem recompensa, da maldade, da crueldade, da mentira, da tirania, da exploração, da guerra, do sofrimento, da doença, da coacção, do abuso pelos mais fracos, da ironia dos vivos, da falta de esperança, dos moribundos, das instituições ludibriantes, da longevidade sem qualidade de vida, da supremacia dos pequenos poderes, do medo que move pessoas, do triunfo dos porcos, da maldade a todo o preço, do dinheiro, das compras substitutas de patologias maiores, da ambição desmedida, da ausência de respeito pelo nosso semelhante, da falta de dignidade, de amor, da ausência de laços, de valores, do desespero, da maldade do Homem, ...e, da falta de vontade e de força para mudar isto tudo...
...olhava para trás, sem saber o que fazer...
...mergulhava na dúvida que nunca julgou que pudesse um dia ter...quando voltasse...
Pôs pés ao caminho com tanta certeza, de que as coisas haviam mudado, ...passara tanto tempo...
Permanecia no limbo de um e de outro mundo, olhava para um lado e para outro...Sentia-se numa encruzilhada e detinha as pernas, que aos poucos ficavam trémulas...Alimentara a esperança de que um dia, quando subisse a rua mais sinuosa e cinzenta de todas, iria encontrar finalmente o arco-íris...Fora o último tornado que varrera a terra, que lhe contou.
Maria, depois de tanto tempo de viagem dentro de si, onde teve oportunidade de se encontrar com os seus defeitos todos, com as suas virtudes, onde travou autênticas batalhas com os seus medos, saiu vitoriosa e acreditou que dali em diante poderia refazer mundos...Por isso saiu e aventurou-se, voltando.
Um passo em frente... mas, os seus olhos não conseguiam alcançar o brilho próprio da presença das cores, da luz... Chamou o vento. Gritou bem alto, por ele. Precisava aconselhar-se, precisava do seu amigo... Não obteve resposta. Repetia os gestos e o olhar, para um lado e para o outro. Voltou a gritar, aflita...
Acabou, encostada a uma parede, por onde foi escorregando devagarinho até se sentir sentada. Maria, percebeu que teria que resolver sozinha o seu destino. Ponderou... perdida no tempo, o tempo que este lhe dera para o fazer, pensava no vento e questionava-se. "Quanto vale aquela amizade, em que só amamos o outro pela sua virtude, fidelidade e perseverança? Quanto vale qualquer afecto que espera recompensa? Não seria nosso dever aceitar o amigo infiel da mesma maneira que o amigo abnegado e fiel? Não seria isso o verdadeiro conteúdo de todas as relações humanas, esse altruísmo que não quer nada e não espera nada, absolutamente nada do outro?..." Maria tinha consigo todas as respostas. O vento um dia escrevera-lhe uma carta, que ela resolveu nunca abrir. Guardava-a consigo, fazendo parte da meia dúzia de pertences que carregava para onde fosse o seu destino. Por instantes, pensou abri-la...imaginou, que se sentiria mais acompanhada naquele momento de decisões difíceis, em que precisava decidir entre abandonar o seu mundo interior para sempre, ou voltar ao mundo dos Homens...olhou, em volta, procurou-o de novo com o olhar, numa última esperança, antes de decidir o que fazer...Nada, nem brisa...
Maria, fechou os olhos, acabou adormecendo...
Maria vinda do caos, regressava de novo, agora...
ao mundo dos conceitos e dos preconceitos, dos esconderijos, das regras, das vicissitudes, das teorias sem sustentação, das frases feitas, das pequenas ditaduras, das democracias fingidas, da vaidade das elites, das crianças sem futuro sustentável, dos cegos por opção, dos voluntários à força, dos infelizes sonhadores, dos devastados por uma vida de esforço sem recompensa, da maldade, da crueldade, da mentira, da tirania, da exploração, da guerra, do sofrimento, da doença, da coacção, do abuso pelos mais fracos, da ironia dos vivos, da falta de esperança, dos moribundos, das instituições ludibriantes, da longevidade sem qualidade de vida, da supremacia dos pequenos poderes, do medo que move pessoas, do triunfo dos porcos, da maldade a todo o preço, do dinheiro, das compras substitutas de patologias maiores, da ambição desmedida, da ausência de respeito pelo nosso semelhante, da falta de dignidade, de amor, da ausência de laços, de valores, do desespero, da maldade do Homem, ...e, da falta de vontade e de força para mudar isto tudo...
...olhava para trás, sem saber o que fazer...
...mergulhava na dúvida que nunca julgou que pudesse um dia ter...quando voltasse...
Pôs pés ao caminho com tanta certeza, de que as coisas haviam mudado, ...passara tanto tempo...
Permanecia no limbo de um e de outro mundo, olhava para um lado e para outro...Sentia-se numa encruzilhada e detinha as pernas, que aos poucos ficavam trémulas...Alimentara a esperança de que um dia, quando subisse a rua mais sinuosa e cinzenta de todas, iria encontrar finalmente o arco-íris...Fora o último tornado que varrera a terra, que lhe contou.
Maria, depois de tanto tempo de viagem dentro de si, onde teve oportunidade de se encontrar com os seus defeitos todos, com as suas virtudes, onde travou autênticas batalhas com os seus medos, saiu vitoriosa e acreditou que dali em diante poderia refazer mundos...Por isso saiu e aventurou-se, voltando.
Um passo em frente... mas, os seus olhos não conseguiam alcançar o brilho próprio da presença das cores, da luz... Chamou o vento. Gritou bem alto, por ele. Precisava aconselhar-se, precisava do seu amigo... Não obteve resposta. Repetia os gestos e o olhar, para um lado e para o outro. Voltou a gritar, aflita...
Acabou, encostada a uma parede, por onde foi escorregando devagarinho até se sentir sentada. Maria, percebeu que teria que resolver sozinha o seu destino. Ponderou... perdida no tempo, o tempo que este lhe dera para o fazer, pensava no vento e questionava-se. "Quanto vale aquela amizade, em que só amamos o outro pela sua virtude, fidelidade e perseverança? Quanto vale qualquer afecto que espera recompensa? Não seria nosso dever aceitar o amigo infiel da mesma maneira que o amigo abnegado e fiel? Não seria isso o verdadeiro conteúdo de todas as relações humanas, esse altruísmo que não quer nada e não espera nada, absolutamente nada do outro?..." Maria tinha consigo todas as respostas. O vento um dia escrevera-lhe uma carta, que ela resolveu nunca abrir. Guardava-a consigo, fazendo parte da meia dúzia de pertences que carregava para onde fosse o seu destino. Por instantes, pensou abri-la...imaginou, que se sentiria mais acompanhada naquele momento de decisões difíceis, em que precisava decidir entre abandonar o seu mundo interior para sempre, ou voltar ao mundo dos Homens...olhou, em volta, procurou-o de novo com o olhar, numa última esperança, antes de decidir o que fazer...Nada, nem brisa...
Maria, fechou os olhos, acabou adormecendo...