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domingo, 22 de maio de 2011

A solidão dos bombons...


Joana, completava uns cheios 83 anos,  por altura da troca de prendas, vindas de quem se gosta e outras, a quem se dá por educação; por altura da criação de quadros e fotografias fingidas de  famílias unidas;  por altura de fantasias, das histórias que nos contam em criança, e infundadas vocações, que só surgem nesta época nos espíritos mais sonhadores, sempre e sempre em redor de uma árvore enfeitada e colorida, que sem ter culpa de nada, nem de pena para cumprir, acaba decepada e a fingir  como a maior parte de todos, os que brincam de solidariedade, compaixão, fraternidade, amor pelo seu semelhante. 

Era uma mulher simples, lutadora, que a vida obrigou muitas vezes a crescer depressa e a ser forte. Quem a olhava, via apenas uma mulher franzina. Quem a conhecia, sabia que era muito maior do que o que víamos de facto.

Preenchia os seus dias com pequenas coisas. A sua vida dependia do Verão ou do Inverno para sair de casa.

Adorava, ver os momentos do Peter Pan entre as crianças e a Catarina, com quem esbanjava gargalhadas na sala, que eu ouvia no quarto. Sabia muitas coisas das vidas dos ilustres que decoram as revistas cor-de-rosa, que leu até à pouco tempo, antes de o Glau, lhe ter  quase comido a vista esquerda. 

A sua vida, tinha tantas histórias, que as contava como se tivessem acontecido ontem, recordando com precisão todos os  pormenores.  Hoje, já só lhe apetecia dedicar-se a coisas fúteis e sem culpa. A pequenos prazeres que não exijam muito esforço. As suas pernas cansadas de viagens intermináveis, teimavam em andar devagarinho, ao contrário da cabeça que corria a mil à hora, entre o passado e o presente de forma muito límpida, ainda.

Adorava vibrar, com gritos e gestos, aos gloriosos golos de um clube que amou a vida toda. Vermelha, de raiva, às vezes, por uma táctica que não entendia, discutia sozinha com o écran da televisão, com os jogadores, com o árbitro, com o treinador, mas... ficava sempre alegre no final de cada jogo, ganhasse ou não o seu clube do coração. Havia dentro dela uma águia.

Tem um pássaro chamado Mantorras na gaiola, com quem gosta de falar, mas está preso. É a sua companhia diária. Ele, o Malato que está preso dentro do televisor, a Amália que está presa dentro do rádio, e uma ou outra amiga que foram condenadas há uns anos a viver dentro do telefone tal como a maioria dos seus familiares mais distantes ou mais próximos. De vez em quando, vê alguém, que passa lá por casa uns minutos, para que não se esqueça da silhueta dos seres humanos, mas mal dá para começar a falar do tempo, quanto mais contar histórias.

Joana, teve 5 filhos, tem 6 netos e um destes dias, em que partilhou com alegria a alegria de poder conversar, de dizer alguma coisa e ouvir uma resposta, de voltar a fazer uma pergunta e ouvir várias respostas, com um sorriso, contava aos presentes uma história maravilhosa, que eu não podia deixar de registar aqui ou num pedaço de papel.
...
- Não vá sem resposta. Dizia Joana a propósito de piropos, tentando olhar na minha direcção.

- Um destes dias, fui com a M. J. ao supermercado e na fila para pagar as compras, disse para a minha empregada chamada  M.J. com quem partilhava momentos  uma vez por semana. 
 - Ó menina, vá me buscar  um maço de algodão, que me faz falta. 
 A M.J., surpresa, vá se lá saber porquê, respondeu.
- Para que precisa a senhora de um maço inteiro de algodão? 
Joana, quase, quase indignada com a pergunta, repetiu a ordem de forma ainda mais determinada.
-... Vá, ora agora, porque preciso. 
Sem mais explicações encerrou o discurso directo, muito embora indignada com a audácia. A M.J.., dirigiu-se imediatamente ao corredor onde se encontravam os d.p.h. e tentava satisfazer o pedido o quanto antes, enquanto pensava na pergunta tola que acabara de dirigir a uma mulher que tem idade para comprar tudo o que lhe apetece, quando lhe apetece, sem precisar de dar qualquer satisfação a ninguém.

A indignação ainda não lhe tinha passado, completamente. Joana, aproveitou o momento para desabafar com a empregada da caixa, que pacientemente, esperava a vinda da M.J.., mais ligeira, mais leve, porque as histórias de vida que tinha, ainda não lhe pesavam nada. M.J. era uma mulher ainda nova e a dever ainda muito à vida.

- Ora agora, não querem lá ver, que eu com a idade que tenho, não posso precisar de um maço inteiro de algodão?
Com esta pergunta em forma de desabafo a indignação tinha passado e a explicação que não tinha dado à M.J., dava-a agora, gratuitamente, à empregada da caixa, que concordava consigo, abanando a cabeça.
Com um sorriso tímido dizia: 
- Sabe, que apesar da idade que tenho e de ser viúva,  eu ainda uso sutiã e gosto sempre, depois de fazer a minha higiene matinal e vestir o sutiã, de colocar um pouco de algodão aqui por baixo,  para não me ferir.
Joana confessava a sua intimidade.  A empregada da caixa compreendia a situação numa expressão facial sentida,  enquanto acrescentava que a sua avó, mais nova, já não usava sutiã há alguns anos.

Entretanto, a M.J.. chegava junto de si.  Joana virou-se um pouco para trás, para confirmar  se ela tinha feito o recado em condições e, acabava de constatar que atrás de si, estava um senhor de uns 70 anos de idade, com as compras na mão, para pagar.

Virou- à pressa na direcção da empregada da caixa e desejou que ele não estivesse ali desde o início,  a ouvir a confissão que acabara de fazer. ...Não deu importância, preferiu acreditar ter estado sozinha o tempo todo com a empregada da caixa a quando do desabafo, ...de qualquer modo, a idade,  já não a deixava corar.
Reparou pelo meio do troco, que o homem tinha desaparecido. Se calhar esqueceu-se de comprar qualquer coisa, pensou.
Já pronta para sair, devagar, com o peso das histórias de vida e algumas compras,  que as outras dividira com a M.J, o homem apareceu à sua frente surpreendendo-a,  e estendendo a mão disse:
- Posso oferecer-lhe, este pequeno presente?
Não estava embrulhado, a situação não lhe dera tempo. À sua frente, tinha uma caixa bonita com a fotografia de uns bombons que nos saltavam para a boca e para os olhos. Joana, aceitou, agradecendo a gentileza.
Continuou o seu caminho acompanhada da M.J., que nunca disse uma palavra. Apoiada de um lado pelo antebraço da M.J. e, do outro, pelo saco das compras, continuaram na direcção do carro.

Joana, percebia agora tudo. Aquele homem, ouvira a história toda do princípio ao fim, sem fazer qualquer ruído para não a assustar.

Depois de colocar os sacos no porta-bagagens, sentou-se, à pendura, ao lado da M.J. e depois de desfazerem a curva, olhou na direcção da sua janela. Do outro lado do vidro fechado, imóvel a olhar para si, permanecia um homem gentil de 70 e tal anos, agora que o via melhor, apesar de ver mal ao longe, que lhe dizia Adeus, acenando feliz para ela. 
Joana, sorrira à vontade, acenando de volta, trocando com a M.J. risos envergonhados, lisonjeados e divertidos...,  porque alguém reparara nela com outros olhos, com a idade que tinha.

Enternecíamos nós, a cada palavra da história que acabava de contar, sorrindo a cada descrição, a cada emoção, fazendo perguntas e mais perguntas, na expectativa de um futuro ou uma história de amor. Aquele homem, procurava companhia, não queria estar só, rematava Joana.

Depois de uma pausa, que nos dizia que a história terminara, dizia com um laivo de tristeza  e de resignação, mas, de maneira, a não deixar ninguém com problemas de consciência, já bastava os que cada um tinha e que faziam parte das suas próprias vidas.
- Eu só falo (com alguém) à terça-feira, que é quando lá vai a M.J. fazer-me a limpeza a casa. Depois estou, 4ª,5ª,6ª, sábado, domingo e 2ª sem falar de novo com ninguém.

Não conseguia ver os seus amigos, senti-los de perto, sentir-lhes o calor, nunca lhe ofereciam bombons.

Joana era uma mulher livre, eles estavam todos presos. A Catarina, o Peter Pan, o Malato, o Mantorras, a Amália, que nunca lhe respondiam, talvez porque estavam presos. ... e, também, não lhe faziam perguntas....só falavam e cantavam o que lhes apetecia, como se ela não existisse...

Os bombons foram oferecidos à netinha mais nova que tem.O senhor de 70 e tal anos, continua a ir ao mesmo sítio fazer compras, porque a M.J.. já tem trazido a notícia para casa à 3ªf, quando vai limpar... Joana, continua dando apenas atenção às coisas fúteis, porque já não está para se ralar. Faz a sua higiene diária e compra maços de algodão...


sábado, 23 de abril de 2011

Labirinto do Sol...


 Por vezes, julgo que me deixei lá atrás...e segui caminho...

Olho para trás várias vezes, na esperança de encontrar-me de novo. Mas a distância a que assisto sentada na praia, presa a um ponto, manda-me andar no sentido inverso ao que deixei...que não sei o que foi, nem sei definir por palavras, apenas sentir com os sentidos...A sensação não é tranquila, é de perca, de subtracção... Seria, eventualmente dramático se, quando olhasse em frente, não sentisse a esperança de vir a encontrar alguém muito melhor...num estado diferente e mais elevado na escala, escala por mim encontrada para justificar a forma de cada um de nós, em cada momento da vida...( ... designo-os por patamares, planos ou camadas).

Umas vezes, sou ainda um bocadinho da que ficou lá atrás, outras, a que continua andar no sentido contrário, determinada, e, outras ainda, sou a que permanece sentada no meio, entre a distância percorrida entre as duas, com a diferença, de que não estou na mesma linha de alinhamento, estou um passo atrás, e com a distância suficiente para no meu horizonte conseguir ver as duas, a que ficou e a que continua andar...à mesma distância.

Não sei para onde vai a da direita, mas vai tenho a certeza, que não consegue parar...Quase a perco de vista...A da esquerda, está parada num ponto à esquerda, desta linha imaginária que estabeleci  entre as elas. Não percebo qualquer movimento da parte dela, cristalizou por ali...mas, percebo que vai ficando cada vez mais pequenina, diminuta, à medida que a que está à minha direita se movimenta... e eu que estou no centro, entre a  distância entre uma e outra, me desloco obrigatoriamente, corrigindo o centro e mudando de lugar a cada passo percorrido pela da direita...

Estou de costas para mim própria, - eu, que escrevo....sentada de pernas cruzadas, na praia, "fixa" a um ponto da terra, ao centro da linha imaginária que estabeleci....Mas se me colocar de frente para mim mesma, - eu, que escrevo,  ou, sem me soltar daquele ponto,  no centro, e, me virar de frente para mim, ou ainda, ...se deslocar o objecto, onde todas as personagens se encontram... tudo se altera...

À minha esquerda agora tenho aquela que anda sem parar e à minha direita tenho a que permanece estática... só eu, continuo-o a mesma, não perdi as minhas características, permaneço ao meio, no meio das duas, no meio da linha imaginária que define a distância entre uma e outra...e, continuarei a deslocar-me e a corrigir o meio,  o centro, a cada passo percorrido pela determinação da  que se encontra à esquerda...

Confundo-me...Confundo-as...Confundo todas as personagens que vivenciam na minha imaginação este relato, com tantas voltas que dou...numa espiral devassa de movimentar personagens como se fossem bonecos, tiro e coloco no lugar que me apetece, faço-as rodopiar, sobre mim, sobre elas próprias, sobre o objecto, sobre o plano e estabeleço as linhas imaginárias que me apetece até obter um raciocínio lógico. Tenho até dificuldade em dizer onde me encontro! já não sei! ...mas não preciso. Ninguém pergunta...e, se alguém se atrever, posso sempre responder, ...lá, do lugar de uma das quatro...que sou eu...por qualquer uma...

Durmo, acordo e brinco no Labirinto do Sol, com o jogo que inventei...Brinco comigo, não com alguém...um jogo que serve para me ler de outros planos, de outros prismas...e me mostrar, a mim, como somos multifacetados...


sexta-feira, 1 de abril de 2011

You are my favorite ...


Maria lia um romance e recordava passagens anteriores, que a história e o tempo quase apagaram com o passar dos anos da sua lembrança...as memórias eram tão efémeras que "quase" não deixavam que ela recordasse sequer a cor dos olhos dele...A sua capacidade para apagar da história, momentos de uma sensação agri-doce era infalível. Ela detestava esse sabor e isso fazia por ela a determinação necessária.

Esse condimento que a atravessara em determinados momentos da vida, enraiveciam-na, tornava-se desconfiada e triste, cheia de raiva, amarga, doce, agri-doce... E, ela detestava ser assim, agri-doce. Tinha consciência do seu estado nessas alturas. Mesmo não havendo, aparentemente razões para ser abrupta com os outros, por eles não serem o problema, não conseguia deixar de o ser. Recordava-se que antes de sentir pela primeira vez este sabor, era apenas doce, divertida, alegre e sorria com a facilidade de um adolescente. Naquele tempo, terá amado o mundo e a vida, as coisas e as pessoas. Hoje, já só amava as coisas...as diferentes coisas, a natureza, a natureza morta e os animais...O mundo, a vida e as pessoas tinham-na devastado, sem lhe restar sequer a possibilidade de tudo voltar ao lugar onde um dia estiveram, durante anos...

Ás vezes, sentia vontade de saltar a janela e voar até à outra janela... Poisar no parapeito, olhar nos olhos e conversar...ou, simplesmente, encostar-se no ombro e enternecer em paz ao lado de uma outra vida, ao final de um dia atrás do outro...

Procurara saber para que serviria aquele sabor agri-doce que sentia ao virar de cada palavra proferida por alguém, ou por ela própria? Tantas.Tantas, tinham sido  as palavras vomitadas que não surtiram de modo nenhum o efeito que pretendeu....tantas.  Maria, não passava da menina preferida por tanta gente. Esse sentir não lhe apaziguava a alma nem o coração. Não queria de modo nenhum ser a preferida de ninguém, mas a amada apenas...

Não era mais a mesma... ser a preferida ou ser a amada, eram  expressões diferentes que desembocavam em sentires distintos...E, Maria hoje, procurava ainda a profundidade dos sentimentos dentro dela e dentro dos outros... A busca incessante não a deixava serenar...

Numa esperança renovada, que negava aceitar tudo por metade, Maria metia pés ao caminho, e num voo planado, bem rasteiro, dava mais uma oportunidade à vida de lhe mostrar que os amores não existiam só nos romances que lia, nem nos sonhos, mas também na vida real.

segunda-feira, 28 de março de 2011

A memória de Hiroshima...


 
...as placas oscilaram sem avisar, a terra estremece de dentro para fora e num som estridente, tudo abana à passagem do monstro. Passou por baixo dos pés de todos aqueles que se sentiam poderosos à superfície e por baixo dos pés dos humildes também...a seguir veio a água e varreu tudo do lugar.  As pontes perderam os rios, os barcos perderam a água, os aviões perderam as pistas, as casas perderam os alicerces, os comboios  perderam os carris, os carros perderam as estradas, as pessoas perderam os familiares, os amigos, os conhecidos, os entes queridos e, a terra...a Terra  desviou-se do seu eixo, será que se perdeu de si mesma?...O eixo do mal? ...

Há muito, que muitos destes já tinham perdido o Norte, e outros que se tinham perdido dos seus. Agora, outros ainda, perderam a vida, para além de tudo o que tinham e que perderam. Mas, nada importa depois da vida perdida. Há quem se perca todos os dias disto e daquilo, por não querer ser encontrado por ninguém nem por nada e há quem se perca todos os dias na esperança de se encontrar consigo ou com alguém...

Abalroados... atemorizados, procuram o chão e os alicerces... a sustentação de vidas construídas sobre estruturas transparentes sem a solidez necessária para aguentar tempestades, furacões, maremotos, terremotos, tsunamis ou outras intempéries que devastam a vida da terra.

Onde foi que ficou a insustentável leveza do Ser, que nos torna leves e flutuantes à passagem da força da natureza!!! desconheço!!!...Perdidas no interior das trevas cor de rosa desmaiado, procuram uma nesga de esperança, um raio de sol que os aqueça,  que lhes aqueça a alma e os seus contornos. Que monstros são estes que nos fazem sentir pequeninos e indefesos, crianças amedrontadas que não têm atrás de quem se esconder...Não há presente, passado ou futuro que nos sossegue, que nos acolhe ou que nos tome nos seus braços e nos embale...

Se a Terra perdeu o eixo do mal onde se sustinha, não me importo...prefiro outro eixo qualquer, que não seja sustentado pela física e pela matemática, mas que dê conta certa no final...Se somos interceptados por monstros de barriga vazia, que se alimentam do sofrimento dos homens, dos gritos de dor, da perda, da ausência, da saudade de quem se ama, da devastação, dos escombros, do caos, só nos resta aprender a viver por conta própria e transformar as nossas estruturas transparentes em sólidas concepções e convicções que nos guiem pela vida. Não nos sentiremos sós, porque nos temos a nós próprios, apesar de isso não nos bastar...

Mesmo que o ar se torne irrespirável, cada um de nós terá sempre uma bolha de oxigénio puro que nos proporcione continuar a raciocinar de forma límpida de geração em geração e transportar connosco o património mais valioso, que é o Conhecimento...

Memórias de Hiroshima, Nagasawki, Chernobyl e agora Fukushima...

quarta-feira, 23 de março de 2011

A Formúla Química, H2 O...

.. Diz a ciência da Vida que tudo são fórmulas químicas:

"Uma fórmula química é uma representação de um composto químico. Por exemplo, a fórmula química da água é H2O. A fórmula química sendo uma representação de um composto químico pode nos fornecer algumas informações sobre a substância que ela representa. Por exemplo a fórmula da água H2O. Nesta fórmula aparecem letras e número. As letras representam os elementos químicos que se unem para formar a molécula de água. O número subscrito é chamado de índice e indica a quantidade de átomos do elemento presente em cada molécula. No exemplo da molécula de água, H2O, significa que cada molécula de água é constituída por dois átomos de hidrogénio e 1 átomo de oxigénio. É interessante notar que o número 1 é omitido. Com estudo mais aprofundado sobre Química a fórmula também nos diz o tipo de ligação química que ocorre entre os átomos formadores da substância, a que tipo de função química a substância pertence. Neste caso a representação H2O é chamada de fórmula molecular.

Existem outros tipos de representação:
  • Fórmula eletrónica ou de Lewis onde os elétrons da última camada do átomo são representados por pontos (∙) ou “x” ao redor do símbolo do elemento químico. Exemplo:
Os elétrons da última camada, camada de valência, do oxigénio foram representados por (∙) e do hidrogénio por (x). Outro tipo de representação é a fórmula estrutural plana onde os pares de elétrons que estabelecem a ligação química são representados por traços (─). Exemplo:

Repare-se que os elétrons que não estabelecem a ligação química não precisam ser representados.
Existem outros tipos de fórmulas. Tomando por exemplo CH4 Na fórmula molecular temos que colocar a própria fórmula química CH4
Na fórmula eletrónica, deve-se separar os dois componentes, e uni-los no desenho pelos elétrons que eles estão compartilhando
     H
      :
H..C..H
      :
     H
Na fórmula estrutural também chamada de fórmula de Couper, deve-se retirar os pontos e colocar "traços"
      H
       |
  H-C-H
       |
      H
 Mas podem haver ligações PI, e isso significa que pode estar acontecendo uma ligação dupla ou tripla."

Para o bem e para o mal tudo é Química...Estas definições, explicam o inexplicável....e, com o passar dos anos o Homem, foi criando antídotos e desenvolvendo anti-corpos contra-tudo, contra-todas as coisas, contra-todas as pessoas...contra,contra,contra...

Eu, fundamento a minha Vida, pela Física:

"Física (do grego antigo: φύσις physis "natureza") é a ciência que estuda a natureza e seus fenómenos em seus aspectos mais gerais. Envolve o estudo da matéria e energia, além de suas propriedades, abrangendo a análise de todas as suas consequências. Busca a compreensão dos comportamentos naturais do Universo, desde as partículas elementares até o Universo como um todo.
A Física, com o amparo dos métodos científicos e da lógica, descreve a natureza através de modelos científicos, uma construção humana que, embora não consiga explicar a natureza em toda a sua complexidade, permite compreender e prever com precisão requerida os comportamentos e fenómenos naturais ao fornecer uma sólida estrutura para a compreensão dos mesmos. É considerada a ciência fundamental, sinónimo de ciência natural, dentro de um ponto de vista reducionista; as ciências naturais, como a Química e a Biologia, têm raízes na Física. As aplicações da Física no cotidiano são muito amplas; praticamente todas as tecnologias usadas actualmente devem à Física o seu desenvolvimento.

A Física é uma das disciplinas académicas mais antigas, talvez a mais antiga se for considerada a sua utilização dentro da Astronomia. Ao longo dos últimos milénios a Física foi considerada como sinónimo de Filosofia Natural, Química, e se confundia com certos aspectos da Matemática e Biologia. No entanto, foi durante a Revolução Científica, no século XVI, que a Física consolidou-se, por mérito próprio, em uma ciência única e moderna. Entretanto a Física, assim como qualquer outra ciência, não pode ser considerada uma ciência à parte, pois esta inter-relaciona-se de forma significativa com várias outras, sendo notória a inter-disciplinaridade em disciplinas como a Físico-química e a Biofísica, entre outras. Muitas vezes a distinção entre Física e outra ciência torna-se praticamente inexequível: em disciplinas como a Fisíca Matemática e a Química Quântica raramente ocorre uma distinção nítida entre o que está sob domínio da Física e o que se encontra sob domínio da outra cadeira em questão.

A Física é uma ciência significativa e influente, e avanços na área são frequentemente traduzidos no desenvolvimento de novas tecnologias. 

O desenvolvimento da Física também ressoa na forma de pensar de outras ciências e até mesmo da sociedade como um todo. O desenvolvimento da mecânica, juntamente com sua metodologia, teve influência determinante no pensamento racionalista e mecanicista do Iluminismo. Entretanto, a ontologia mecanicista da ciência, onde todo o Universo pode ser explicado com "simples peças de máquina", foi abalada no século XX com o desenvolvimento da Mecânica Quântica. Embora o advento da física quântica não tenha estendido os domínios da física para além dos fenómenos naturais visto que, como ciência, a Física faz uso do método cientifico, tem como linguagem natural a Matemática e vale-se da Lógica e sobretudo da coerência obrigatória entre ideias e fatos naturais (inerente ao método científico) para a construção e apresentação dos conceitos, modelos e teorias, ela certamente revolucionou a forma de pensar a natureza, mostrando que a compreensão completa desta pode ser mais difícil e utópica do que se imaginara há alguns séculos atrás."

Eu sou Física, apesar da fórmula química...






segunda-feira, 21 de março de 2011

Mother...

Lembrei-me agora, hoje é o dia da poesia, da árvore e de aniversário da minha mãe...

Lembrar-me-ia mais cedo, que hoje era o dia da minha mãe se ela ainda estivesse por cá, ...mas resolvera partir um destes dias deixando a existência mundana para ir atrás de uma paz nunca antes conquistada, após 63 anos...Privou-nos da sua companhia e da sua boa disposição apesar de todos os atropelos e empurrões que a vida lhe trouxe...espero que tenha renascido em cada árvore em flor, em cada flor, em cada tulipa, em cada semente colorida e de uma forma mais vivaz, sem espinhos, num mundo que não sabe o que é a poda, onde o amor a abraça todos os dias pela manhã e lhe dá colo ao final do dia...quero que seja muito feliz onde está...

Falo com ela algumas vezes para que sinta que estou por perto e que nunca a abandonarei...será sempre a minha mãe...

...deixou-me na companhia da poesia, das árvores e das memórias...para crescer sozinha e me tornar Mulher..

Não concordo com o final que a vida nos impõem. ...Esta, como tantas outras histórias, deveria ser uma história em que ao autor caberia o fascínio de inventar o FIM...e, todos os intervenientes ficariam felizes...afinal, na vida real, ninguém concordou com o desfecho e a minha mãe também não...

...um beijo enorme mãe...

quinta-feira, 10 de março de 2011

Estória FELIZ...

É urgente o FIM...,

o fim de uma estória que não tem
porque o inicio estava errado
o meio não fazia sentido
porque nunca fora realmente vivido
nem pelo FIM, nem por ninguém.

O FIM era agora anunciado...
repetido,
evitado,
sugerido,
segredado,
maltratado!

O FIM era agora imaginado...
sonhado por todos,
desdobrado em metades, onde a estória se partiu
para que o princípio existisse
o meio tivesse significado
um princípio baseado
na estória que nunca existiu.

O FIM é o princípio de tudo
onde a ordem se confunde
onde o meio perde a estória
onde a memória é FELIZ...

É urgente o princípio...

domingo, 6 de março de 2011

(Tempos aureos)



Gitana que tú serás como la falsa moneda
que de mano en mano va y ninguno se la queda,
Cruzaos los brazos pa' no matarla
cerraos los ojos pa' no llorar,
temió ser débil y perdonarla
y abrió las puertas de par en par.
Vete, mujer mala, vete de mi vera,
rueda lo mismito que una maldición,
que un día me permita que quien tu mas quieras
pague tus quereres, tus quereres pague
con mala traición.
Gitana, que tú serás como la falsa moneda,
que de mano en mano va y ninguno se la queda,
(bis)
Besó los negros zarcillos finos
que allí dejara cuando se fue.
Y aquellas trenzas de pelo endrino
que en otro tiempo cortó pa' él.
Cuando se marchaba, no intentó ni verla,
ni lanzó un quejio, ni le dijo adiós.
Entornó la puerta y, pa' no llamarla,
se clavó las uñas,
se clavó las uñas, en el corazón.
Gitana que tú serás como la falsa moneda
que de mano en mano va y ninguno se la queda,
(bis).
Que de mano en mano va y ninguno se la queda,
(bis).

sábado, 5 de março de 2011

(Triângulo das Bermudas)




Ás vezes no silêncio da noite,
eu fico imaginando nós dois
Eu fico ali sonhando acordado,
juntando
o antes o agora e o depois
Porque você me deixa tão solto?
Porque você não cola em mim?
Tô me sentindo muito sozinho
Não sou nem quero se o seu dono,
é que um carinho as vezes cai bem
Eu tenho meus segredos e planos,
secretos,
só abro pra você, mais ninguém
Por que você me esquece e some?
E se eu me interessar por alguém?
E se ela de repente me ganha?
Quando a gente gosta é claro que a
gente cuida.
Fala que me ama só que é da boca
pra fora
Ou você me engana ou não está
madura
Onde está você agora?

O mundo avesso...

Maria, procurava hoje respostas para muitas das perguntas que lhe assolavam a alma...Não podia fazer mais nada senão entregar o seu mundo à Vida e ficar à espera para saber o que ela lhe retornava, um dia quando fosse mais pequenina...

No Mundo em que nascera, as pessoas nasciam velhas e com o passar dos anos ficavam cada vez mais novas...amava profundamente, aquela ordem decrescente das coisas, das pessoas, das histórias...tudo acontecia ao contrário. Maria, nunca conhecera outro lugar, senão aquele onde vivera uma vida inteira ao contrário...

Estabelecia, no entanto, por vezes comparações, com um outro mundo que um dia uma criança anfitriã lhe contara, recentemente chegada de um mundo avesso, em que a ordem de tudo era crescente e em que os Homens nasciam meninos e acabavam velhos, sem forças e sem vida.

Causava-lhe uma certa estranheza, confessava algumas vezes a si própria...como é que alguém, por exemplo, poderia contar de zero a cem, sendo que cem não era o início da vida, mas o fim. Fazia muito mais sentido que antes de zero uma vez que não existia nada, senão o vazio, fosse o fim de tudo...

No mundo de Maria, as pessoas sabiam imediatamente, quando nasciam velhinhas que iriam viver determinado número de anos, ...a incógnita não existia.  Sabiam que tinham x anos para fazer o que quisessem, aprender, construir, edificar, dar, receber, amar e organizavam-na como entendiam, não desperdiçavam tempo, nem pessoas, nem atitudes, nem oportunidades, nem momentos, nem sonhos..Recordava-se de ouvir a criança anfitriã contar que, no mundo avesso, acontecia tudo ao contrário e por isso as pessoas não eram felizes, porque se perdiam no tempo, desperdiçando muitas coisas valiosas para a existência de uma vida plena...Era um mundo de desperdício, aquele mundo do avesso em que nunca vivera.

Maria nascera velhinha, com noventa anos aproximadamente, repleta, transbordante de sabedoria, carregada de princípios e significados, sem um único sonho por realizar, com um património humano incalculável... com histórias de vida maravilhosas que aqueciam os lugares e as pessoas que a rodeavam para a ouvir contar a sua vida, agora, já criança... e com o passar do tempo foi uma mulher madura, bem sucedida profissionalmente, amada nos momentos certos por alguéns do seu mundo, foi feliz no futuro/passado, no presente/presente e no passado/futuro, recuperou a beleza da pele, a vitalidade dos jovens, o cabelo sedoso, os olhos que transpiravam vida, e rejuvenescendo...até ao berço, despediu-se em paz, dela própria...

Eu, muitas vezes, procuro perceber em que mundo vivo...mas, em tudo se assemelha ao mundo avesso...deve ser isso...

(Disponibilidade)


quando eu olho em seus olhos

quando eu olho em seus olhos
vejo a sabedoria do mundo
vejo a tristeza de mil despedidas
e isso não é surpresa
para ver a suavidade da lua em seus olhos
e a delicadeza das estrelas em seu olhar
quando eu olho em seus olhos
em seus olhos eu vejo a profundidade do mar
eu vejo a profundidade do amor
do amor que sentimos um pelo outro
o outono vem, o verão morre
eu vejo o passar dos anos em seus olhos
e quando nos afastarmos
não haverá lágrimas nem despedidas
eu só vou olhar nos seus olhos
aqueles olhos tão sábios
aquele olhar tão confortável,tão real
como eu adoro o mundo que seus olhos revelam

(Sexo, mentiras e vídeo)



(Insólitos: Há uns anos atrás foi Leonard Cohen que me decepcionou, de tal forma que apesar de o admirar, mal o oiço...hoje, foi Lady Gaga...)

Alejandro

I know that we are young
And I know that you may love me
But I just can't be with you like this anymore...
Alejandro

O-o-o-o-o-o-oh
O-o-oh
O-oh

O-o-o-o-o-o-oh
O-o-oh

She's got both hands
In her pocket (In her pocket)
And she won't look at you
Won't look at you
She hides true love en su bolsillo
She's got a halo around her finger
Around you-aah

You know that I love you, boy
Hot like Mexico,
Rejoice!
At this point I've gotta choose
Nothing to lose

Don't call my name
Don't call my name
Alejandro

I'm not your babe
I'm not your babe
Fernando

Don't wanna kiss
Don't wanna touch
Just smoke my cigarette and run

Don't call my name
Don't call my name
Roberto

Alejandro
Alejandro

Ale-Alejandro
Ale-Alejandro

Alejandro
Alejandro

Ale-Alejandro
Ale-Alejandro

Stop!
Please, just let me go
Alejandro,
Just let me go

She's not broken
She's just a baby
But her boyfriend's like her dad
Just like a dad

And all those flames that
Burn before him (Burn before him)
Now he's gonna find a fight
Gonna full the bad

You know that I love you, boy
Hot like Mexico,
Rejoice!
At this point I've gotta choose
Nothing to lose

Don't call my name
Don't call my name
Alejandro

I'm not your babe
I'm not your babe
Fernando

Don't wanna kiss
Don't wanna touch
Just smoke my cigarette and run

Don't call my name
Don't call my name
Roberto

Alejandro
Alejandro

Ale-Alejandro
Ale-Alejandro

Alejandro
Alejandro

Ale-Alejandro
Ale-Alejandro

Don't bother me
Don't bother me
Alejandro

Don't call my name
Don't call my name
Bye, Fernando

I'm not your babe
I'm not your babe
Alejandro

Don't wanna kiss
Don't wanna touch
Fernando

Don't call my name
Don't call my name
Alejandro
(Alejandro)

I'm not your babe
I'm not your babe
Fernando
(Fernando)

Don't wanna kiss
Don't wanna touch
Just smoke my cigarette and run

Don't call my name
Don't call my name
Roberto

Alejandro
Alejandro

Ale-Alejandro
Ale-Alejand-ro

Alejandro
Alejandro

Ale-Alejandro
Ale-Alejand-ro

(Don't call my name)
Alejandro
(Don't call my name)
Alejandro
(Alejandro)

(I'm not your babe)
Ale-Alejandro
(I'm not your babe)
Ale-Alejand-ro
(Fernando)

(Don't wanna kiss)
Alejandro
(Don't wanna touch)
Alejandro
(Just smoke my cigarette and hush)

(Don't call my name)
Ale-Alejandro
(Don't call my name)
Ale-Alejand-ro
(Roberto)

Alejandro

terça-feira, 1 de março de 2011

O vôo dos pássaros...



Este ano dei pela Primavera chegar, por ti. Foste tu que me anunciaste a sua chegada. ELA chegou mais cedo do que eu esperava...

Não fiquei contente com isso, como foi meu hábito em anos anteriores. A chegada da Primavera é sempre um momento forte, um momento que se sente por dentro, que toda a natureza SENTE, porque nos acalenta a alma e o corpo e nos propõem histórias com história, que nos abre mais os braços, que nos faz ir a correr para ao pé de quem gostamos e fomentar a vida. Nenhum ser vivo, consegue deixar passar esta estação do ano, em branco...e, tu, não foste diferente, seguiste o rumo...
...o vôo dos pássaros...

...ainda não me foi anunciada oficialmente, vai ser um destes dias...quando isso acontecer, já vou estar preparada e aí, logo vejo se me apetece recebê-la...