... moi..., les uns et les autres...

Os limites do planeta e o comportamento humano são a minha preocupação constante;... perspectivas inquietantes, são um desejo permanente; ... e eu, apenas à procura de uma qualquer lucidez...

Quinta-feira, 3 de Maio de 2012

Alma ao vento

O que trago dentro da alma é muito mais do que corpo
É altruísmo, é compaixão, …é um porto.
É um amanhecer…,
é, um amor desenvolto
que não será ofuscado, nem podado, nem mar morto…

De uma sombra desfocada do que fui, do que serei
Iludida pelas margens de um rio que corria à minha frente
Pus um pé em ramo verde,
queria brincar, queria ser gente…
Imaginei…

Eram sonhos de criança que me inundavam a vida
numa esperança desmedida como então havia poucas
Não me fiquei por aqui...
Fiz disparates..., senti..., fiz coisas loucas...

E de tantas experiências
acabei a acreditar virada ao mar
Que um dia nasceria uma frente, tornada quente, que me diria
Que imaginar e amar,
é o sonho de toda gente...




Ventos voados depois...

Quando um dia a caminho do vento Norte
Numa tempestade esguia, entremeando relâmpagos
encontrei a minha alma
Sempre calma, tranquila, no seu bote...

E, dela despontou um raio
que me avivou a memória...

E, acabei testemunhando...
Que este corpo quis tantas vezes apenas, foi amar
sem prisão, submissão ou vitória

Por quantos sonhos manteve, este meu corpo inventado
Abraçou a minha alma
...e, desculpou-a, fatigado
Deixando-lhe uma lição...

Sendo corpo, alma ou paixão
Terá direito a amar e a sonhar sem direcção...

AA 6-12-2010

Domingo, 6 de Novembro de 2011


Gosto deste vento frio que me atravessa a pele e teima em fazer de mim o seu refúgio. Gosto da chuva forte que cai e me convida a dançar nas suas águas. A chuva é doce o vento é destemperado...e, eu...Eu, não passo de água e sal, ...

Envolta em areia molhada onde a vida se aninha e me viola saborosamente por todas as reentrâncias, deixo-me levar ao som da sua música melada. Não há significado nenhum para isto nem sentido, nem agravo, apenas prazer...

As nuvens ficam caladas, a olhar-me... e eu flutuo deixando-me ir ao som do mar que sai do fundo dos búzios e das estrelas magoadas e brilhantes. Ficaram ofendidas comigo quando um dia não as deixei entrar em cena. A cena passava-se de dia, não havia razão para as deixar entrar...Disse-lhes que fossem tomar um café enquanto eu estava a sonhar. Zangadas, saíram batendo com a porta, não vacilei...já as conheço, mais tarde voltam.

Gosto daquele vento frio que vem do Norte que me abraça e me faz voar,  que me empurra para os sonhos acompanhado de uma chuva forte que cai dentro e fora de mim, ao contrário de palavras transparentes que de tão leves não atravessam ninguém.

Ele continua assobiar a levantar no ar folhas de Outono e paixões sem tempo, que deslizam de forma envergonhada por entre os homens até apanhar um coração indefeso. E, há por aí tantos..., todos os dias me cruzo com eles. Consigo distíngui-los no meio dos outros. Têm uma cor e uma forma diferentes, são magenta como as romãs mais maduras e mais arredondadamente cheios também, transbordam no que têm para ofertar sem pedir nada em troca, por isso vivem suspensos e leves... destarte seguem o seu caminho sem garantias de sucesso...

- Não importa, só a viagem... já valeu muito a pena. - Pensam...

Umas vezes, são interceptados pelo vento Norte de que vos falo e aí caem redondos num extase que apenas haviam ouvido contar, nunca tinham experimentado. Os repetentes vacilam, mas as lembranças carregadas de emoção da última vez fazem esquecer as contrariedades que aparecem depois fazem-nos seguir o mesmo caminho. Uns e outros deixam de ter vontade própria para ter vontades próprias de um enlace sem limites. 

O vento Norte é capaz de tudo...
e, a chuva, que de vez em quando o acompanha imprime nos homens os cheiros a terra molhada...

Terça-feira, 1 de Novembro de 2011

...the most of everything is a second sense second...

 
... não sei o que as pessoas procuram no mundo se "paz" se "pão"..., não as entendo...Creio que, nem elas sabem..

.Determinadas a não passar "necessidades" versus sofrer, numa luta permanente, dilaceradas, entre não ter nem uma coisa nem outra, travam batalhas consigo até conseguir pelo menos uma delas...Não sabem viver com a ausência das duas, nunca aprenderam...Na verdade,  eu também não, confesso...

Desenfreadamente,  procuram dentro dos outros a resposta para as dúvidas que habitam dentro de si...e transformam-nas nas soluções...  Optando por pão não têm paz! optando por paz não têm pão!...é como se o  Universo e os Deuses tivessem determinado há muitos mil anos atrás, numa orgia de excessos no céu, lugar onde habitam, que essa seria uma das condições humanas...Eles, tinham consciência das nossas inconsciências, eram conhecedores da raça humana,....e,  sabiam que desta forma, encontraríamos justificação para nos levantarmos da cama todos os dias...(não queriam um mundo de dorminhocos) ...Refiro-me a motivação...o motor que nos impele ou empurra todos os dias para a vida...

 Apesar da teoria "duvidosa" que recaiu sobre nós como condição, a prática, não nos deixa qualquer dúvida, mas antes uma sensação estranha de forte insatisfação...daí que, nos dias em que temos muito "pão" queremos "paz" e  nos dias em que estamos em "paz", falta-nos "pão"...

Se tivéssemos assistido à discussão lá em cima, onde os Deuses argumentavam, defendendo teorias e teses sobre o tema ao mesmo tempo que comiam uvas e outras iguarias e bebiam vinho, deitados em leitos limpos, de barrigas fartas, trajados com vestes douradas e prateadas, num local de paisagens esplendorosas com vista cá para baixo, num clima ameno, ......e, de mentes já toldadas pelos excessos avaliar pelos risos descontrolados, ....talvez nos fosse mais fácil de entender a condição determinante,... apesar da complexidade da questão...

Se ao menos, eles entendessem que sem nenhuma das duas não passamos de moribundos, sem uma delas insatisfeitos crónicos e com as duas, torna-se mais fácil a existência humana...
Devo dizer, que esta última opção, que nos parece a solução ideal, apresenta inúmeras contrariedades e me levanta sérias dúvidas, ...imaginem...Precisaremos desta última como solução ideal, na justa medida das necessidades que criámos para nós próprios, ...mas na verdade, não precisamos de tanto para nos tornarmos felizes...

...os deuses, continuam lá em cima sem saber do que falam, inebriados pelos excessos...a decidir a nossa vida...

Eu, obriguei-me a optar, procurei o caminho que mais me aproxima de mim mesma...prefiro paz, o pão acabará por aparecer, nem que seja aos pedaços...

PS: ...do dia, torrado se for do dia anterior, transformado em açorda para aproveitar os restos, com manteiga ou sem ela, a servir de conduto ou a acompanhar a refeição, para empurrar a refeição...


Sábado, 29 de Outubro de 2011

Salva pelo Jorge...


Adormecera.

Da melancolia e do aperto no peito repentino, restava apenas a vontade de me desembaraçar de algo que não era meu, não era de ninguém, apenas dela...Tornava-se impossível de continuar de um minuto para outro...Voltava a dor, a tristeza e a vontade de chorar...Tentava aguentar-se, achar graça ao programa da televisão feito para rir, dar atenção a mais uma ou outra história repetida que ouvira várias vezes de então para cá, desempenhar mais uma ou outra tarefa que fazia parte do protocolo da profissão de fim de semana, rir sem vontade porque a tarefa não tinha qualquer motivo para rir, sofrer calada em solidariedade, dar de comer, limpar a boca, dar os remédios a horas sem se enganar, levar sem que quisessem que assistisse a momentos que requerem intimidade, e ela também não queria..

As horas passavam felizmente, os ponteiros continuavam a rodar sem parar, ainda bem...

Até ao final do dia, conseguira levar tudo sem sentir, ao contrário da última vez. Antes, por esta hora... já chorava sem parar, fumava cigarros atrás uns dos outros e bebia café, sentia uma pequena dor do lado direito junto à anca ao mesmo tempo que ouvia um conjunto de música de festa de aldeia, de uma qualquer aldeia distante, mas não o suficiente...tanto assim, que seguia a letra das músicas, umas mais alegres que outras,... e nessas..., nas outras, chorava ainda mais, pela tristeza do que seria obrigada a viver.

A vida magoava-a a cada momento, mas pior que isso, magoava pessoas de quem gostava como a ninguém e isso fazia-a sofrer mais ainda. Sofriam as duas.

Dormia cedo agora, mais do que antes. O reboliço de uma casa cheia, risos, música, correrias, euforias,...palavras deitadas à rua sem pensar, levianas, era agora insuportável. A visão era turva,... e para grandes males, grandes remédios e os remédios eram agora tantos, doces e amargos, inteiros e em metades. O peso de oitenta e quatro primaveras e verões, e de oitenta e três outonos,... se conseguisse chegar ao próximo inverno era uma vitória estonteante. Carregava consigo, para além da camada de creme diário para amaciar a pele a fralda nocturna... Sentia-se repleta de lembranças, umas recentes e outras demasiado antigas de quando criança, que ainda a mantinham de pé, à espera daquele dia em que iria ajustar todas as contas com ele, caso ele tivesse vontade, porque ela já não sentia forças para discutir ou apenas argumentar...provavelmente, optaria por se deixar ir e pronto... Falava da primeira ida ao Teatro São Luís ver um filme de um cantor da época, o primeiro filme a cores,... entusiasmada, depois de um prato de sopa numa casa pobre como a sua, sem floreados,... a pé descia da Graça ao Rossio e subia ao Chiado, - Era tão bonito aquele teatro, vamos ficar na geral...

Inúmeros anos passados sobre todo este enredo, ...acabei salva pelo bailarino, pelo Jorge que via o filme da sua vida, sentado no palco do mesmo teatro, filmado pelo Marco...Ela, já adormecera, depois de mais um jogo do benfica, o seu último amor.

O Jorge pequenino veio salvar-me da melancolia do momento e levou-me para o quarto, onde fiquei em cima da cama expectante enquanto ele contava a sua história dentro daquela caixa que transborda de tudo desde que se carregue num botão... o outro, o Jorge bailarino, estaria algures no presente, em sua casa sentado na poltrona que o aconchega à vida...Ela, adormecera na cama, adornada pelas lembranças...Eu, permanecia de vigia...

...Obrigada Jorge pelo resgate, ...and please, keep going...


A ilha...





Estes são definitivamente os meus dias. Os dias de que mais gosto do calendário inteiro. Dias de chuva, de chuva de verdade e de vento, em que a natureza se afirma, se firma aos olhos dos homens mais cépticos. Não lhes restam dúvidas, nem a mim por outras certezas.

É nestes dias que me encontro comigo de forma mais íntima, talvez por ser feita de água, de haver em mim mais espaço preenchido pela água que por terra. É nestes dias que me dispo à minha frente, que me encaro, que me falo, que me oiço e traduzo em palavras o que a pele me deixa sentir. Não sem antes buscar uma folha em branco, olhar para ela, limitada pelos quatro cantos, com respeito, sem pudor, para de seguida a encher de vocábulos com ou sem nexo, não me preocupo, ela entende-me, está habituada.

Também ela aparece nua..., sem vergonha, sem embaraço e pronta a ser preenchida de forma arbitrária com as palavras que saltam inusitadas e sem ordem, cheias ainda de vida, porque acabaram de nascer. As mais novas encostam-se umas às outras à procura de aconchego, sentem-se ainda perdidas no meio de tanto branco, sentem frio, arrepiam-se. As últimas já nada temem, têm companhia. É o calor que cresce conforme se vão enroscando, encaixando, fazendo sentido. 

A minha folha, traja agora um vestido que se  molda em cada linha imaginária, dos pés à cabeça. Eu, permaneço cada vez mais nua, a escrever ao som da chuva que malha na minha janela sem perdão. Viro a página.

Vazia, olho o espelho,... não consigo ler-me mais..

Não me insisto, não me obrigo, não me devasso...

Ela, poisada sobre a secretária de madeira deixa-se ficar..., deitada em comunhão, com a caneta...

...Lá fora tudo é água. Cá dentro tudo é água também. Avisto ao fundo, dentro de mim... uma ilha...onde me vejo e revejo, pequenina.

Sou uma criança  rodeada de mar...