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sábado, 4 de outubro de 2014

...Já oiço ao longe a tempestade...

O céu muda de cor;  passa de azul e branco transparente, a cinzento opaco. 
O vento chama por ela. Primeiro baixinho e depois vai levantando a voz. E, as poucas folhas da árvore de sempre, agitam-se de entusiasmo. Gostam de movimento, de euforia, do prenúncio que existe no ar...

A brisa inesperada e fresca anuncia a chuva que a antecede; nas cores, num céu tímido e ao mesmo tempo, determinado a deixar cair sobre a terra todas as preces, de mãos levantadas pelos homens nos momentos de desespero. 
A terra, acolhe as primeiras gotas com satisfação e um prazer lascivo. O odor invade tudo e todos.
Os Homens respondem fantasiando, misturando imagens de sonho e de caos, inebriados pela esperança e pela expectativa do que a tempestade pode trazer. Deixam-se levar! Contudo e apesar dos cheiros de prazer sentidos, nada encerra a possibilidade do fim.  Será o interlúdio da transformação há tanto esperada? ...ou,  será apenas mais uma réplica tempestuosa, estéril e inconsequente, que deixará cair por terra as derradeiras esperanças que ainda nos restam do limiar da vida! 

Enquanto isso, o meu corpo treme, por dentro, em uníssono, adivinhando o que está para chegar! Sinto, que me divido em partes desiguais, mas que cada uma delas encerra um sentido! E que de um corpo só, me transformo em dois. Cérebro e coração. Os restantes componentes da  carne perdem agora o significado. É como se não os reconhecesse mais, como se nunca tivessem feito parte de mim. Tento acalmar-me como posso. Falo-me, como se estivesse a falar com outro alguém. 

Dispersa a flutuar no caos em que me encontrava, fui resgatada por uma voz doce...deixei-me ir...

- Onde aprendeste música?
- Ouvindo-te cantar...

3 comentários:

alfa diz: