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domingo, 17 de outubro de 2010



(depois, de terminar de ler "Livro", do José Luís Peixoto)

Do lado de lá, a casa estava vazia... Ao longe, apenas se ouvia um rádio velho a tocar uma música nova e vozes que mal se ouvem, mal se interpretam porque sumidas se esgueiram por caminhos de multidão sem rumo, vindas da televisão acesa para ninguém ver ....e, já noite, acabou deitado,... depois de cumprir um ritual com insistência...Em vez de serenar através das palavras que lia e do amor transmitido por elas, rompia numa raiva cega, desmedida, desencorajada apenas pelo sono e pelo cansaço de mais um dia...

...Ilídio, pai do Livro...a poucas folhas do fim, deixava para trás Adelaide...

Livro,  educado pela mãe de Lenine, recordava com dor a ausência de um Ilídio, pai, apaixonado e nunca presente, que por partidas do destino e do que ficou por dizer, e que foi tanto, nunca soubera senão com os olhos expressar o quanto a amava e o quanto queria partilhar com aquela mulher,...tudo...

"Essa, foi a primeira vez que os vi juntos. Nessa manhã, a minha mãe tinha quase setenta anos."...a história tinha tido início quando a mãe de Ilídio lhe colocara um livro nas mãos e o deixava à deriva, sentado no cruzeiro à espera da Vida. Cresceu sozinho no silêncio e acarinhado ao longe, à distância. 

Adelaide acompanhou o destino, relatado pelo Livro, escritor, pág. 234....gosto...de...ti. Pág.235, ...não..me...conhece...

A duas páginas do fim, batem à porta do quarto a cada batida no teclado..."É a minha mãe. O Ilídio está ao seu lado. Estão calados a olhar para mim. Não sei ao que vêem......Eu sou um menino sem voz, podem fazer de mim o que quiserem...: - Já sabes o que tenho para te dizer. A minha mãe agarra a mão de Ilídio com toda a força, passa os dedos por dentro dos dele. As suas mãos formam um polvo receoso....Adelaide abraça o filho e Ilídio dá-lhe um aperto de mão ", a distância mantida entre pai e filho deixa-o descontraído.... se de outra forma fosse, não saberia como comportar-se apesar da idade....há coisas que só de pequenino se aprendem, se treinam, para podermos em mais velhos usufruir dessa aprendizagem.

Cosme, permanecia atento, queria guardar nas memórias o relato de tudo, queria testemunhar a  reacção de Ilídio. Livro continuava a escrever...


Obrigado Luís, ...agradeço-te por me teres trazido até à última página e por seguir contigo até à última palavra...


4 comentários:

  1. Como siempre, es un placer por acá.
    Queda uno impregnado de lo que escribes y almismo tiempo llevas de forma muy coherente esos videos musicales.

    Besos.

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  2. Boas histórias se contam neste cantinho...encantadoramente bem escritas e,expressivas!

    Bj*

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alfa diz: